Democratas mobilizam eleitores via telefone

Agência AFP

WASHINGTON - Para os democratas, chegou a hora de intensificar a mobilização, com voluntários se dedicando a noites de "phone banking", ou seja, ligando para os eleitores de estados-chave com o intuito de convencê-los a votar em Barack Obama na eleição presidencial de 4 de novembro.

Ann Ingram, uma aposentada de 76 anos, não conhecia nenhum dos convidados reunidos hoje na bela mansão de Hillary e René Lake no noroeste de Washington, mas veio assim mesmo.

- Doei dinheiro à campanha de Obama, mas ainda não tinha tido a possibilidade de contribuir com meu tempo, explicou.

Assim como dezenas de outros convidados que, entre duas ligações, degustaram lasanhas e frango frito, Ann recebeu uma lista de eleitores pré-selecionados. A idéia era ligar unicamente para os eleitores de estados tradicionalmente republicanos.

Os convidados de Hillary e René Lake foram encarregados de telefonar para moradores do estado de Virginia, inclusive das cidades mais isoladas e conservadoras. O casal pediu aos amigos e militantes presentes que viessem com seus celulares e se comprometeram a fornecer as listas, que baixaram do site "mybarackobama.com" através de uma senha.

Nestas listas, aparece ao lado do nome do eleitor um questionário com várias opções a assinalar, como "número errado", "não está", "se recusa a responder", "votará em Obama" ou "votará em McCain". Esta "phone banking party" - a expressão vem de "data bank", que significa banco de dados é a última inovação da equipe de Obama.

Em duas horas, Hillary ligou para cerca de 40 pessoas, sendo que dez estavam ausentes. Segundo ela, "não há nada a perder" nesta campanha de mobilização por telefone. Das 30 pessoas restantes, um homem disse, com tom taxativo: - Não tenho nada a dizer, voto em McCain.

Além disso, uma mulher, aparentemente aterrorizada, afirmou não poder falar, e uma terceira pessoa não quis comentar suas intenções de voto.

- No sul de Virginia, os negros vivenciaram a segregação, explicou Hillary.

Mike Fulsom, um canadense de 22 anos que entrou no site da campanha democrata, se assustou ao ler a anotação: "Abaixo Obama", como resposta de um morador de uma localidade isolada de Virginia.

Para este estudante, é "muito importante" participar diretamente da campanha, apesar de não ser americano e não poder votar.

- A eleição do presidente americano não afeta apenas os Estados Unidos, mas também o resto do mundo, justificou.

Idriss, um empresário afro-americano, teve mais sorte do que outros. Ao falar com uma moradora de Virginia Beach, ele ouviu a seguinte resposta: - Nesta casa, todos nós votamos em Obama.

No fim da "phone banking party", Ann expressou sua satisfação: - É ótimo se esforçar para algo que consideramos importante, comentou.

Esta ex-partidária de Hillary Clinton, adversária de Obama nas primárias democratas, ainda afirmou:

- Barack Obama é um verdadeiro líder, tem boas idéias e será um presidente maravilhoso.

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