Economia americana retrai 0,3%, maior índice dos últimos sete anos

Jornal do Brasil

WASHINGTON - A economia dos Estados Unidos encolheu 0,3% no terceiro trimestre, em termos anualizados, na contração mais acentuada em sete anos. Os números foram afetados por redução dos gastos do consumidor e dos empresários devido aos temores de que uma recessão está se instalando no país. O Departamento de Comércio americano informou que o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) foi o mais forte desde o terceiro trimestre de 2001, no entanto, o dado ficou um pouco melhor que o esperado. A expectativa do mercado era de que a retração chegasse a 0,5%.

Um volume maior de gastos do governo americano compensaram, em parte, a forte retração dos consumidores. A contração do terceiro trimestre foi uma reviravolta em relação ao crescimento relativamente positivo de 2,8 % do segundo trimestre e ocorreu quando a turbulência do mercado aumentou temores de uma recessão mais longa.

As Bolsas européias fecharam com altas moderadas nesta quinta-feira em relação à sessão anterior. Os investidores receberam com otimismo a decisão pelo corte da taxa de juros dos Estados Unidos anunciado nesta quinta-feira pelo Fed (Federal Reserve, o BC americano), e começaram o dia motivados. Com juros menores, o custo de empréstimos pode também ficar menor e o crédito poderia ir aos poucos voltando ao normal.

Nos EUA, o índice Dow Jones teve alta de 2,11%, para 9.180 pontos. O Standard & Poor's 500 subiu 2,58%, para 954 pontos. O Nasdaq apresentou valorização de 2,49%, para 1.698 pontos. Os investidores também encontraram apoio em sinais de que os esforços para afrouxar os apertados mercados de crédito estão funcionando, enquanto a taxa que os bancos cobram para emprestar dólares uns para os outros caiu, liberando o dinheiro necessário para evitar uma brusca desaceleração.

Mas os índices de consumo americanos continuam desanimadores. Os gastos dos consumidores, responsáveis por dois terços do crescimento do país, caíram 3,1% no terceiro trimestre o primeiro corte trimestral dos gastos desde o último trimestre de 1991 e o maior desde o segundo trimestre de 1980. Os gastos com bens não-duráveis itens como comida e papel registraram a taxa mais acentuada de queda desde o fim da década de 1950.

Nós estamos sendo ajudados pelos gastos públicos, que contribuíram com 1,1 ponto percentual para o crescimento do PIB afirmou Robert Brusca, economista-chefe da Fact and Opinion Economics, em Nova York.

Perdas contínuas de postos de trabalho com o declíno das ações, além de outros investimentos e dos preços de moradias, colocaram os consumidores sob forte estresse.

O relatório do PIB americano mostrou que a renda pessoal disponível caiu 8,7% no terceiro trimestre a queda mais intensa desde que os dados começaram a ser registrados, em 1947 depois de ter subido 11,9% no segundo trimestre, quando a maior parte dos pagamentos referentes ao pacote de estímulo econômico ainda estavam circulando.

Consumidores cortaram também gastos com bens duráveis, como carros e móveis, em 14,1% em termos anualizados, o maior corte nessa categoria desde o início de 1987. Lojas de veículos informaram que as vendas praticamente pararam, em parte devido à contração do crédito que tornou difícil empréstimos até mesmo para consumidores com bom perfil de crédito. Empresas também se mostraram claramente cautelosas quanto ao futuro, ao cortar investimentos em 1,0% depois de terem ampliado em 2,5% no segundo trimestre.

Esta foi a primeira redução de investimentos das empresas desde o fim de 2006. Os estoques de produtos não vendidos somavam US$ 38,5 bilhões no terceiro trimestre. Os preços ainda subiram de forma relativamente forte no terceiro trimestre, com o índice de gastos com consumo pessoal avançando 5,4%, taxa mais acentuada desde o começo da década de 1990. Mesmo ao se excluir itens voláteis, como de alimentos e energia, o núcleo dos preços subiu 2,9%, ante alta de 2,2% no segundo trimestre.

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