Espanha: corte apura crimes da era Franco

Jornal do Brasil

MADRI - Um juiz federal lançou ontem uma investigação criminal inédita para desvendar a morte de dezenas de milhares de pessoas que desapareceram durante a guerra civil e a ditadura franquista ordem judicial que deve causar polêmica no país, segundo analistas.

Baltasar Garzon um dos juízes investigativos mais consagrados da Espanha ordenou ainda a abertura de 19 covas contendo inúmeros corpos não identificados. Acredita-se que um desses túmulos abrigue os restos do poeta Federico García Lorca, assassinado por forças fascistas no início da guerra, na década de 30.

Correspondentes afirmam que existe um pacto silencioso proibindo partidos políticos de se aprofundarem em assuntos relativos ao período da guerra civil e da era franquista.

Em decreto de 68 páginas, Garzon afirmou que os franquistas realizaram detenções ilegais permanentes que representariam crimes contra a humanidade. Ele se referiu a 114 mil pessoas que desapareceram durante um período de 15 anos após a deflagração da guerra em 1936.

O conflito foi desencadeado pelo levantamento militar do general Francisco Franco, cujos adeptos eliminaram sistematicamente seus adversários esquerdistas, mesmo após a guerra ter sido ganha em 1939.

O decreto de Garzon denuncia Franco e mais 34 de seus assessores como instigadores dos crimes.

O juiz chegou a solicitar a apresentação dos certificados de óbito dos acusados para saber se eles poderão enfrentar processos. Também pediu para o ministro do Interior espanhol providenciar os nomes de membros seniores do partido fascista, Falange, que apoiaram Franco, visando a possíveis condenações.

Chile

Garzon é famoso por acusar personalidades como o ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, de crimes contra a humanidade.

No país latino-americano, também há uma investigação sobre crimes da época da ditadura. Ontem, a Suprema Corte acusou cinco ex-militares por assassinatos durante a ditadura.

Os presos pertenciam a Caravana da Morte, comitê que atravessou o país matando esquerdistas.

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