EUA: Crise, tom ameno e Brasil marcam último debate

Portal Terra

WASHINGTON - A grave crise financeira que atinge os EUA, uma referência ao etanol brasileiro e um tom ameno marcaram o último debate presidencial dos EUA nesta quarta. O encontro entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain aconteceu na Universidade de Hofstra, em Hempstead, no Estado de Nova York.

Atrás nas últimas pesquisas, era esperado que McCain partisse para o ataque neste último debate, segundo as apostas de analistas políticos dos EUA. Entretanto, a postura tanto de McCain quanto Obama foi moderada com um discurso mais ameno em comparação com os outros dois encontros.

Criticados por analistas nos últimos dois debates por não discutirem política externa em relação à América Latina, o Brasil foi citado no debate desta quarta quando o republicano John McCain falou do plano de importar o etanol brasileiro para combater a dependência americana do petróleo.

Crise financeira

Após serem convidados a defender seus próprios planos para enfrentar a crise nos mercados financeiros, ambos aproveitaram para delinear, em linhas gerais, suas propostas e criticar as sugestões dos rivais.

Obama e McCain haviam apresentado, na segunda e na terça-feira, respectivamente, seus planos para conter os efeitos da crise na economia e no bolso dos americanos comuns, que divergiam principalmente em relação à questão dos impostos.

Enquanto o democrata defende o aumento das taxas às grandes empresas para aliviar o bolso dos consumidores, o republicano sustentou exatamente o contrário, o que permitiria, em sua opinião, criar mais empregos.

McCain, que se disse desapontado com a política adotada pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, reconheceu que os americanos estão irritados com a situação, e afirmou que a primeira ação voltada a reverter a crise perante os americanos comuns é "fazer as pessoas acreditarem que têm uma casa".

Enquanto McCain alegou que sua proposta de cortar taxas das grandes empresas vai "estimular a criação de empregos e espalhar a riqueza" entre a população, Obama respondeu afirmando que seu plano de aumentar os impostos dessas mesmas companhias tem como objetivo ajudar 95% dos americanos que ganham menos de US$ 250 mil por ano.

O republicano criticou a proposta e questionou: - Por que aumentar as taxas? - ao que o adversário democrata retorquiu lembrando que sua idéia é dar alívio às famílias de renda baixa e média. - Não vou permitir uma alta de impostos às pequenas empresas - disse McCain destacou ainda que são os pequenos negócios os que geram riqueza e emprego no país e, por isso, precisam ser fortalecidos.

O candidato democrata, por sua parte, reiterou que seus planos são os de cortar os impostos de 95% das famílias americanas, as de classe média, com rendas inferiores a US$ 250 mil ao ano. Para o democrata, a crise vivida no país é a "pior desde a Grande Depressão".

Tom elevado

Os momentos mais quentes da discussão ocorreram apenas quando o jornalista da rede CBS, Bob Schieffer, que moderou o debate, interviu e questionou os dois candidatos sobre os ataques das duas campanhas. Schieffer pediu que Obama avaliasse a campanha do rival e vice-versa.

O democrata criticou as direções da campanha de McCain e disse que 100% das propagandas republicanas são de ataque e não apresentam propostas. O senador republicano pelo Arizona rebateu e negou que seus anúncios seja exclusivamente de ataques e devolveu a acusação a Obama destacando o elevado gasto do partido rival nesta campanha.

Em outro momento, o candidato republicano se irritou com seu adversário, o democrata Barack Obama, que o comparou ao presidente George W. Bush, durante o último debate entre os dois antes das eleições.

- Senador Obama, eu não sou o presidente Bush. Se gostaria de concorrer com ele, deveria ter feito isso quatro atrás - disse McCain no encontro realizado em uma universidade no estado de Nova York.

A comparação feita por Obama aconteceu quando o democrata respondia a uma questão do moderador, o jornalista Bob Schieffer, sobre se deveria desistir de alguma de suas propostas para reduzir as crescentes perdas do país.

Vices na berlinda

Os candidatos à vice-presidente dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden e a republicana Sarah Palin, também foram motivo de divergência no último debate entre os aspirantes à Casa Branca.

Enquanto o senador por Illinois elogiou a candidata a vice na chapa de McCain, qualificando-a de uma "política capaz", o adversário republicano criticou Biden, afirmando que o braço direito de Obama tinha cometido "erros na política de segurança nacional".

O candidato democrata defendeu Biden, dizendo que era uma pessoa "que nunca esqueceu de onde veio". Segundo Obama, ambos compartilham a mesma idéia sobre os valores e a direção na qual os Estados Unidos devem seguir em questões como o aumento de impostos às grandes corporações, a independência energética do país e educação.

- Após oito anos de políticas fracassadas, os dois coincidimos em que temos que voltar a investir na classe trabalhadora - disse o candidato democrata.

Na vez do republicano, McCain afirmou que Palin deveria ser "um modelo para as mulheres", e citou realizações da governadora do Alasca em questões como independência energética e combate à corrupção.

- Ela entende como ninguém de necessidades especiais (em referência ao filho caçula de Pali, Trig, de cinco meses, que sofre de síndrome de Down) - disse McCain. - Tenho muito orgulho dela e de sua família.

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