Empresários bolivianos farão campanha contra nova Constituição

REUTERS

LA PAZ - A principal organização empresarial da Bolívia disse na quarta-feira que fará uma campanha contra a nova Constituição que o presidente Evo Morales pretende levar a referendo.

Morales negocia um acordo com governadores oposicionistas que rejeitam a mudança constitucional e ao mesmo tempo reivindicam autonomia para suas regiões - coisas que o governo diz não serem incompatíveis.

Gabriel Dabdoub, presidente da Confederação de Empresários Privados da Bolívia (CEPB), disse que essa entidade questiona particularmente o que considera ser uma falta de garantias para a propriedade individual e para a empresa privada na nova Carta.

- Vamos fazer campanha pelo 'não' à Constituição do (partido governista) MAS', disse Dabdoub a correspondentes internacionais.

É a primeira vez que a CEPB anuncia oposição aberta à mudança constitucional, principal projeto político de Morales.

O próprio Dabdoub deve aparecer num comercial para 'denunciar os riscos para a liberdade' que a Constituição poderia trazer. O dirigente disse ainda que a campanha fará um 'rechaço pontual' a determinados artigos da Constituição, mesmo que no referendo não haja possibilidade de vetos parciais.

Ele argumentou que a oposição da entidade à nova Carta se baseia no fundamento 'filosófico' da liberdade econômica e individual. Morales diz que a intenção da Constituição é dar mais poderes à maioria indígena, ampliar o papel econômico do Estado e promover uma reforma agrária.

O texto reconhece a existência da propriedade pública, individual e coletiva (ou comunitária), e embora privilegie o controle econômico estatal, também estimula a criação de empresas privadas e comunitárias.

Morales acusa a oposição de realizar uma 'campanha suja' ao insinuar que ele gostaria de transformar a Bolívia em uma nova Cuba.

O diálogo entre o governo e os governadores oposicionistas de Santa Cruz, Beni e Tarija deve ser retomado no domingo, segundo anúncio de ambas as partes.