Mulá Omar garante a segurança para que tropas deixem o Afeganistão

Agência AFP

CABUL - O líder supremo dos talibãs, o mulá Mohammad Omar, afirmou que garantirá a segurança das forças estrangeiras se estas se retirarem do Afeganistão, onde os primeiros nove meses de 2008 já registram o maior número de mortos entre as forças internacionais no Afeganistão desde a queda do regime talibã no fim de 2001.

O líder dos talibãs alerta que, caso as tropas estrangeiras não se retirem do país, serão derrotadas como aconteceu com as forças soviéticas, em um comunicado divulgado nesta terça-feira.

- Os amerianos, apesar de sua tecnologia avançada, foram incapazes de prever sua derrota, mas, com a ajuda de Deus, agora recebem todos os dias os corpos de seus soldados e sofrem importantes perdas humanas e financeiras - declarou o mulá em uma mensagem pouco habitual divulgada no site dos talibãs.

- Se nos mantivermos firmes em nossas posições, com confiança em Deus e unidos, os invasores serão obrigados a abandonar a região. Em sete anos, foram incapazes de cumprir com seus objetivos e, inclusive, se tentassem durante 100 anos, não conseguiriam - o líder talibã.

- Eu digo aos invasores: vão embora do nosso país, garantiremos sua segurança. Mas, se persistirem, serão derrotados como os russos foram antes de vocês - advertiu.

As tropas soviéticas invadiram o Afeganistão em 1979 em apoio ao regime comunista afegão que tomara o poder um ano antes em um violento golpe de Estado. Enfrentando uma guerrilha financiada pelos Estados Unidos, o Exército Vermelho teve que se retirar ao fim de 10 anos.

O mulá Omar, que tem paradeiro desconhecido desde 2001, é o líder dos fundamentalistas islâmicos que dirigiram o Afeganistão entre 1996 e final de 2001 aplicando uma lei islâmica radical. Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de 25 milhões de dólares por sua captura.

Por outro lado, um comunicado divulgado pela coalizão informa que três soldados da coalizão internacional sob comando americano faleceram na segunda-feira na explosão de uma bomba no sul do país.

O texto não revela a nacionalidade dos soldados, mas a maior parte dos membros da coalizão mortos são americanos.

Com isso, segundo dados levantados pela AFP, desde o início do ano, 221 soldados estrangeiros morreram no Afeganistão, sendo que a maioria foi vítima de bombas de fabricação caseira.

Mais soldados morreram em apenas nove meses de 2008 que em todo o ano de 2007 (219 mortos). O mês de junho, com 49 mortos - o balanço de 30 dias mais grave desde 2001 -, e o de agosto (45 mortos) foram particularmente sangrentos.

Os talibãs lançaram uma violenta insurreição desde que foram expulsos do poder no final de 2001 pela coalizão internacional encabeçada pelos Estados Unidos.

A violência ganhou intensidade nos últimos dois anos no Afeganistão, apesar da presença de 70.000 soldados de duas forças multinacionais, uma da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a outra sob comando americano (da Operação Liberdade Duradoura).