Ocidente critica decisão da Rússia em relação as regiões separatistas

Jornal do Brasil

MOSCOU - Estados Unidos, Grã-Bretanha e a Otan condenaram nesta terça-feira a decisão do presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, de reconhecer a independência das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abcázia, dois pequenos territórios de cerca de 250 mil e 70 mil habitantes, respectivamente. O ato confirmou a resolução que havia sido aprovada na véspera pelo Parlamento russo e que já havia gerado críticas do Ocidente e da Geórgia país de onde os territórios esperam se separar.

Não foi uma decisão fácil, mas representa a única possibilidade de se salvar vidas humanas justificou Medvedev, num pronunciamento na televisão, e pediu que outros países sigam o exemplo russo.

Do Oriente Médio, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, mandou o recado de que os EUA vão bloquear o reconhecimento na ONU. Washington está do lado da Geórgia no conflito com a Rússia, que começou este mês.

Já que os EUA são um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, essa manobra não tem chance de passar. E, portanto, segundo as resoluções do Conselho ainda em vigor, a Abcázia e a Ossétia do Sul são parte das fronteiras internacionalmente reconhecidas da Geórgia e isso não vai mudar.

Para o secretário de Exterior da Grã-Bretanha, David Miliband, a atitude do Executivo russo é injustificável e inaceitável :

Não vai adiantar. É contra os princípios do acordo de paz, com os quais a Rússia concordou recentemente. E inflama a já tensa situação na região.

O secretário-geral da Otan, general Jaap de Hoop Scheffer, disse que a decisão é uma violação direta de inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU no que tange a integridade territorial da Geórgia .

Em Tbilisi, o governo georgiano reagiu imediatamente, afirmando que o reconhecimento não tem nenhum valor legal e que trará sérias conseqüências políticas para a Rússia. O presidente Mikheil Saakashvili acusou Moscou de querer modificar pela força as fronteiras da Europa e pediu aos líderes ocidentais que acelerem o processo de integração de seu país à Otan.

Em Sukhumi e Tskhinvali, capitais da Abcázia e da Ossétia do Sul, os habitantes comemoraram com um buzinaço e disparos para o ar com armas automáticas o anúncio de seu reconhecimento por Moscou.

Em nota oficial, o governo russo afirma que a independência vem acabar com o genocídio praticado pelos georgianos: Os ossetas sofreram o extermínio e expatriação em massa .