'Obama sairá caro para a Alemanha', diz McCain

JB Online

BERLIM - O candidato democrata Barack Obama respondeu a uma crítica de seu adversário republicano, John McCain, sobre sua posição quanto à guerra no Iraque depois de ter arrebatado as 200 mil pessoas que, na quinta-feira, se reuniram para vê-lo fazer um discurso histórico em Berlim.

Obama, no entanto, teve de fazer um parêntesis em sua viagem pela Europa para responder a seu adversário, depois que McCain declarou, em uma entrevista à CBS, que o candidato democrata preferia "perder uma guerra do que perder uma campanha", dentro do contexto de fogo cruzado sobre a questão da guerra no Iraque.

- Fico decepcionado com essa linguagem - afirmou Obama em entrevista à NBC na noite de quinta-feira.

- John McCain e eu não de estamos de acordo na política, mas nunca duvideu que nós dois queremos fazer dos Estados Unidos um país mais seguro - disse Obama.

- Acho que foi infeliz da parte dele sugerir que eu me preocupo menos com a segurança de minha mulher e de minhas filhas do que ele - acrescentou.

Obama assegurou que, se for eleito presidente, retirará a maior parte das tropas americanas no Iraque nos primeiros 16 meses depois de assumir o cargo, uma estratégia que, segundo McCain, coloca em perigo a segurança das tropas.

O discurso que Obama pronunciou na véspera no parque Tiergarten de Berlim convenceu a imprensa alemã de que o senador americano tem os atributos de liderança necessários para ser o próximo presidente dos Estados Unidos.

- Ele vai melhorar a imagem dos Estados Unidos no mundo. Não há dúvidas de que ele pedirá à Europa para sair com êxito do Afeganistão e do Iraque - comentou o jornal de centro-esquerda Sueddeutche Zeitung, que também advertiu que Obama sairá caro para a Alemanha - acrescentou.

O jornal de esquerda Frankfurter Rundschau afirmou que Obama terá que assumir uma tarefa mais difícil do que a do antigo presidente John F. Kennedy, que pronunciou a célebra frase "Ich bin ein Berliner" durante a Guerra Fria, em Berlim.

- O que Kennedy fez foi corajoso, mas também foi fácil. A única coisa que teve de fazer foi trazer para os alemães uma parte dos Estados Unidos: confiança em si mesmos, esperança e apoio. Esperamos mais de Barack Obama. Esperamos que ele leve algo daqui para os Estados Unidos - setenciou.

Em seu discurso, Obama, evocando a queda do Muro de Berlim em 1989, pediu para que sejam derrubados outros muros.

- Os muros entre os aliados de longa data, de uma parte e de outra do Atlântico, não podem ficar de pé. Os muros entre os países mais ricos e os mais pobres não podem ficar de pé. Os muros entre as raças e as tribos, entre indígenas e imigrantes, entre cristãos, muçulmanos e judeus não podem ficar de pé - completa.

Após o discurso, interrompido por aplausos e gritos "Yes we can" ("sim, nós podemos"), seu slogan de campanha, Obama misturou-se durante cinco minutos à multidão, que corria para apertar-lhe a mão e fotografá-lo.

Suas declarações recordaram quando o ex-presidente Ronald Reagan disse ao líder soviético da época, Mikhail Gorbachev, em 1987, em Berlim: "Põe abaixo esse muro", antes da queda do comunismo.

O discurso de Obama em Berlim teve uma repercussão sem precedentes e o confirmou como um fenômeno político global.