América Latina: conta da influência é de US$ 33 bi

Jornal do Brasil

RIO - Presidente do Institute for Global Economic Growth divulga dados da ingerência de Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, destinou pelo menos US$ 33 bilhões de fundos públicos a causas voltadas a influir na política de outros países, sobretudo latino-americanos, segundo denúncias do presidente do Institute for Global Economic Growth, Norman A. Bailey.

Ele afirmou que a ingerência de Chávez em assuntos de outras nações se manifesta em medidas como a compra à Argentina de bônus de dívida por bilhões de dólares a taxas de juros mínimas , e mediante contribuições para eleições em Nicarágua, Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Estados caribenhos.

O governo venezuelano também prestou apoio financeiro a grupos insurgentes como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ETA, Hamas ou Hezbollah, mediante a extensiva rede de contatos destas organizações na Venezuela e em outros lugares da América Latina, afirmou Bailey.

O acadêmico, que também é professor do Institute of World Politics, afirma que a rede de contatos é administrada diretamente pelo Centro Islâmico na Ilha Margarita e suas filiais em Barquisimeto, Anaco, Puerto Ordaz e Puerto Cabello.

Bailey, que deu sua opinião como especialista à Subcomissão do Hemisfério Ocidental do Congresso americano, onde citou o valor de US$ 33 bilhões que Chávez usou para influir em países da região, também chamou a atenção para a cada vez maior presença iraniana na Venezuela.

Há vôos regulares unindo os dois países, os iranianos recebem passaportes venezuelanos e outros documentos dessa nação, e abriram o Banco Internacional de Desenvolvimento em Caracas, cujos diretores são todos iranianos.

Isto é uma tentativa de Teerã de se esquivar das sanções financeiras impostas ao Irã pelos EUA e outros países do Conselho de Segurança da ONU sustenta Bailey.

O especialista adverte que se o Irã entrar em um conflito aberto com os EUA e Israel, terá agora a capacidade, diretamente ou por seus aliados, de prejudicar os interesses americanos no próprio continente, incluído o Canal do Panamá.

Bailey considera ainda que a Venezuela representa uma ameaça para a segurança nacional dos EUA, mas acredita que não é necessário que o Departamento de Estado americano declare a Venezuela um Estado que patrocina o terrorismo. Bailey explicou que, embora seja óbvio que a Venezuela financia o terrorismo, há outras legislações que podem ter a mesma função.

Ele se referiu às leis contra a lavagem de dinheiro, ao tráfico de drogas e ao terrorismo que poderiam ser aplicadas ao sistema bancário venezuelano, de modo que os iranianos também veriam dificultada sua tentativa de se esquivar das sanções econômicas.

Na sua opinião, a atitude dos EUA frente à Venezuela se caracterizou pela passividade , algo que o acadêmico não aprova muito. No entanto, ele reconhece que, nas últimas semanas, o Departamento de Estado americano mudou de postura e foi mais duro com Caracas.

Bailey atribui a falta de agressividade dos EUA à aparente posição do governo de que o regime venezuelano se destruirá sozinho e que medidas mais duras levariam a uma alta no preço do petróleo.

O acadêmico ressaltou que um bloqueio americano ao petróleo venezuelano no hipotético caso que declarasse a Venezuela país patrocinador do terrorismo poderia ser resolvido com a transferência de cerca de 2 milhões de barris ao dia da Reserva Estratégica de Petróleo do Governo dos EUA. Para a Venezuela, os efeitos seriam devastadores, já que será difícil encontrar mercados para suas exportações com as características do petróleo que tem.