Berlusconi é 'libertado' pela nova lei de imunidade italiana

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ROMA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, agradeceu aos parlamentares que lhe concederam imunidade contra processos judiciais em uma lei aprovada pelo parlamento nesta semana, dizendo: 'Vocês me libertaram'.

- Finalmente, os magistrados não podem mais me perseguir - disse o bilionário de 71 anos, segundo os senadores com quem se encontrou a portas fechadas na quarta-feira.

- Agora, aos sábados, posso trabalhar calmamente e não terei de me encontrar com meus advogados - brincou Berlusconi, segundo publicaram jornais italianos na quinta-feira.

Sancionada pelo presidente Giorgio Napolitano na quarta-feira, a lei suspende os casos criminais contra o premiê, o presidente e os chefes das duas câmaras do Parlamento, durante o período em que estiverem no poder.

Foi uma vitória do líder conservador, que diz que promotores com motivações políticas o perseguem desde que entrou na política, há 14 anos. Mas os críticos dizem que a lei tem o objetivo de livrá-lo de aborrecimentos legais.

Berlusconi é acusado em Milão de ter pago 600 mil dólares ao advogado britânico David Mills em 1997. O dinheiro teria vindo de 'fundos secretos' de sua empresa Mediaset SpA --o maior canal de TV privado da Itália - para segurar detalhes incriminadores de seus negócios. Ambos negam.

Berlusconi poderia optar por renunciar à imunidade e enfrentar as batalhas judiciais.

O primeiro-ministro contabiliza 2.500 audiências, 587 visitas à polícia e 174 milhões de euros (272,9 milhões de dólares) em honorários legais ao longo de sua carreira política. Ele ganhou todas as causas, por absolvição ou porque prescreveram.