Presidente do Equador descarta mudar postura com Colômbia

Alexandra Valencia, REUTERS

QUITO - O presidente do Equador, Rafael Correa, descartou nesta quinta-feira que a libertação de alguns dos reféns das Farc na Colômbia facilite a retomada das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas desde março.

Em suas primeiras declarações à imprensa depois do resgate dos 15 reféns, entre eles a ex-candidata à Presidência, Ingrid Betancourt, Correa também saudou a bem-sucedida operação militar e reiterou sua disposição para ajudar na libertação daqueles que continuam cativos.

Entretanto, Correa voltou a exigir respeito por seu país, pedindo para que não o envolvam nos problemas da nação vizinha, que trava uma batalha com a guerrilha esquerdista, narcotraficantes e paralimilitares de direita há quase quatro décadas.

- Bom para a Colômbia, bom para Ingrid Betancourt, e que isto contribua para a paz na Colômbia - disse Correa a jornalistas na província de Azuay. - Mas em respeito ao nosso país, que o mundo saiba que o problema está na Colômbia...que deixem de nos envolver em seus problemas, que resolvam seus problemas entre colombianos - acrescentou.

Quito e Bogotá romperam suas relações diplomáticas em março, depois de uma incursão de militares colombianos em território equatoriano para destruir um acampamento das Farc, o que despertou a preocupação da comunidade internacional, inclusive a de Betancourt.

A ex-candidata presidencial franco-colombiana, depois de seu resgate na quarta-feira junto a outros 14 reféns, pediu a Correa e ao presidente venezuelano Hugo Chávez que facilitassem um acordo de paz na Colômbia. Correa afirmou que o Equador está cansado de ser persistentemente envolvido no conflito interno da Colômbia, que ultrapassa a fronteira com refugiados, sequestros, violência e narcotráfico.

- Deixem-nos em paz. Estamos aqui fartos de que cada fato nos envolvem. Isto nos afeta e temos que aguentar as suspeitas e dar explicações - acrescentou.

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