Vaticano defende reforma agrária para conter crise alimentar

Agência ANSA

ROMA - O Conselho Pontifício de Justiça e Paz do Vaticano defendeu nesta quarta-feira a reforma agrária e o favorecimento dos camponeses como parte da solução à atual crise dos alimentos, em discussão na Conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) sobre Segurança Alimentar, Mudanças Climáticas e Bioenergia, em Roma.

- Não se pode pensar em diminuir a quantidade de produtos agrícolas destinados ao mercado de alimentos, ou às reservas emergenciais, a favor de outros fins que, mesmo se pertinentes, não satisfazem um direito fundamental como o da alimentação - disse o Vaticano, através de uma nota oficial divulgada hoje. Segundo o texto, deve-se levar a "reforma agrária aos países em desenvolvimento".

A Igreja católica também aproveitou para criticar novamente os biocombustíveis e a suposta redução do cultivo de alimentos para dar lugar à produção de bioenergia. Os principais países envolvidos na produção de alternativas ao petróleo, como o Brasil, rejeitam tal acusação, afirmando que as áreas destinadas à produção de alimentos não correspondem aos campos que produzem álcool e biodiesel, por exemplo.

O Vaticano sustenta que "as novas fronteiras" abertas devem ser marcadas pelo uso correto das biotecnologias, e convida todos os países a "atuar seguindo considerações ponderadas, que têm como objetivos essenciais a tutela e o respeito do direito à alimentação".

Por fim, o comunicado da Igreja adverte que "os países desenvolvidos terão que reconsiderar, também durante a cúpula do G-8 no Japão, a oportunidade de produzir bioenergia dentro do atual contexto de penúria de produtos agrícolas".