Cúpula da FAO prega 'revolução verde' para a África

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ROMA - Uma cúpula da FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura, pediu nesta quarta-feira aos países ricos que ajudem a 'revolucionar' a agricultura nos países em desenvolvimento, especialmente na África, para que se produza mais alimentos.

- A crise alimentar global serve de alarme para que a África se lance em uma 'revolução vede' já há muito atrasada', disse o ministro nigeriano da Agricultura, Sayyadi Abba Ruma, no segundo dos três dias da cúpula.

- A cada segundo, uma criança morre de fome. A hora de agir é agora. Chega de retórica, mais ação!'- afirmou o ministro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, recebeu um abaixo-assinado sobre o tema, com mais de 300 mil nomes. O esboço de declaração final da cúpula diz que os 151 países participantes se comprometem a 'eliminar a fome e assegurar comida para todos'.

A FAO convocou a cúpula por causa do acentuado aumento de preços nos últimos meses, o que ameaça levar a fome a mais 100 milhões de pessoas -- além das 850 milhões que já sofrem com isso no mundo.

Nos últimos anos, o preço de produtos como arroz, milho e trigo mais do que dobrou. A OCDE (entidade que reúne países desenvolvidos) estima que haverá um recuo em curto prazo, mas que na próxima década os alimentos podem subir mais 50 por cento.

Ban disse que a cúpula já é um sucesso. 'Há uma clara sensação de resolução, responsabilidade compartilhada e compromisso político entre os Estados membros no sentido de fazer escolhas políticas corretas e investir na agricultura nos próximos anos.'

- A fome degrada tudo contra o que estamos lutando nos últimos anos e décadas. Temos o dever de agir, de agir agora e de agir unificadamente', afirmou o sul-coreano a jornalistas.

O antecessor dele na ONU, Kofi Annan, também está em Roma para assinar um acordo com as agências alimentares da ONU para estimular a produção agrícola na África.

'Esperamos promover uma revolução verde na África, que respeite a biodiversidade e as distintas regiões do continente', disse Annan, natural de Gana, que preside a Aliança para uma Revolução Verde na África.

O novo mecanismo dará apoio técnico para melhorias no solo e gerenciamento hídrico, acesso a sementes e fertilizantes e desenvolvimento de infra-estrutura nas regiões mais férteis da África.

O ministro nigeriano disse que seu país tem potencial para se tornar 'o cesto de alimentos da África'. Mas suas lavouras dependem 90 por cento das chuvas, o que as torna vulneráveis às alterações climáticas. E, segundo ele, 14 milhões de pequenos proprietários rurais usam técnicas 'rudimentares'.

A cúpula de Roma ditará o tom das decisões sobre ajuda alimentar e subsídios a serem tomadas na Cúpula do G8, em julho, no Japão. É possível que influencie também as negociações da chamada Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio.