Corrida democrata 'só acaba quando termina', diz Hillary Clinton

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WASHINGTON - A corrida pela nomeação democrata à Casa Branca está quase no fim? Parece ser isso o que todos desejam saber do comitê de campanha da senadora Hillary Clinton, pré-candidata do Partido Democrata à Presidência dos EUA. Mas a única pessoa capaz de responder a essa pergunta continua a manter-se em silêncio sobre o assunto.

- Eu sou um tipo de pessoa que vive um dia de cada vez. E nós veremos o que acontecerá quando chegar a terça-feira e quando vier o dia seguinte à terça-feira - afirmou Hillary a bordo de um avião que a levava para o Estado de Dakota do Sul, onde a pré-candidata planeja ficar no último dia cheio da campanha para as prévias democratas.

As duas últimas prévias ocorrem nesse dia, em Dakota do Sul e em Montana.

- Meu obituário político ainda está para ser escrito, e nós continuaremos lutando - afirmou Hillary. - O processo só acaba quando termina.

Segundo a maior parte dos relatos, porém, a disputa já terminou. O pré-candidato Barack Obama, que detém uma vantagem insuperável em termos de delegados eleitos durante a corrida pela vaga democrata nas eleições presidenciais, pretende realizar um comício na terça-feira a fim de lançar sua campanha para o embate de novembro contra o republicano John McCain.

O obituário político de Hillary já foi escrito várias vezes. "O Fim", escreveu o site Drudge Report sob uma foto da pré-candidata fazendo campanha em Porto Rico, no fim de semana.

O mesmo evento inspirou a manchete da revista on-line Salon.com: "Clinton parecia estar fazendo campanha em uma realidade alternativa".

Enquanto a vaga do partido nas eleições presidenciais ficava cada vez mais distante das mãos de Hillary, os assessores dela se ocupavam em tentar convencer a todos da vitória da pré-candidata.

- Ela tem mais votos - insistia o porta-voz Mo Elleithee em Porto Rico. - Hillary Clinton recebeu mais votos do que qualquer outro democrata que participa da corrida pela Presidência.

Essa é uma declaração polêmica já que inclui os votos depositados nas prévias de Michigan, onde o nome de Obama nem constou das cédulas, e nas da Flórida, onde nenhum dos dois candidatos fez campanha. Além disso, a conta deixa de fora os Estados em que Obama venceu e onde se utilizou um sistema de escolha no qual os votos individuais não são auferidos.

De toda forma, o número de votos de cada um dos pré-candidatos não é computado diretamente no processo de escolha. O que importa é o número de delegados que cada um deles levará para a convenção do partido. E Obama lidera tanto na contagem dos delegados quanto na dos superdelegados, membros destacados da legenda que possuem a liberdade de votar em quem bem entenderem.

- Um fato a respeito dos superdelegados é que eles podem mudar de idéia - lembrou Hillary a repórteres depois das prévias de Porto Rico, onde a senadora venceu por uma larga margem de votos.

O comitê de campanha de Hillary, que deseja convencer os superdelegados da tese de que a senadora teria mais chances de vencer McCain, espera usar o resultado das prévias de Porto Rico para dar sustentação a esse argumento. No entanto, o argumentou perdeu força porque foi baixo o comparecimento às urnas naquela votação.