Americanos cortam gasolina, mas não comida, segundo pesquisa

REUTERS

EUA - Diante do aumento generalizado de preços, os consumidores americanos estão usando menos gasolina, mas não diminuíram a alimentação, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira.

Quase metade dos entrevistados na pesquisa Reuters/Zogby, que ouviu prováveis eleitores na eleição presidencial deste ano, disse estar dirigindo menos para compensar o preço recorde da gasolina, que ronda a marca recorde de US$ 3,80 por galão, segundo a entidade automobilística AAA.

No entanto, apenas 8% dos 1.076 entrevistados disseram estar comendo menos devido ao aumento no preço dos alimentos.

- As pessoas têm mais controle sobre a gasolina. Elas estão dirigindo menos e dirigindo de forma mais inteligente - disse o estatístico John Zogby por telefone.

Os dados sobre gastos individuais apóiam as conclusões da pesquisa. Na semana encerrada em 16 de maio, a venda de gasolina no varejo teve queda de quase 7% em comparação com o mesmo período de 2007, segundo a Mastercard Advisors.

Desde o começo do ano, a venda de gasolina nos Estados Unidos caiu 1,4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as cifras calculadas a partir das vendas com o cartão de crédito Mastercard.

De acordo com Zogby, os consumidores estão impressionados com o fato de a gasolina já ter em alguns momentos superado os US$ 4 por galão.

- As pessoas vinham dizendo que quando o preço chegasse a US$ 4 elas iriam ajustar seu estilo de vida, e reduzir o uso do automóvel é uma forma pela qual estão fazendo isso - disse ele.

Mas apenas 15% dos entrevistados disseram estar comendo menos por causa do preço da comida. Um outro grupo de tamanho equivalente disse estar usando cupons alimentares para cobrir os gastos.

Por outro lado, quase um terço dos entrevistados diz estar absorvendo os aumentos alimentícios sem mudança de hábitos. Só 18% conseguem absorver o aumento da gasolina sem mudar os hábitos.

Os analistas dizem que uma possível consequência dos aumentos - tanto dos alimentos quanto da gasolina - seria a expansão de hipermercados como o WalMart, que atrairiam os clientes por seus preços e proximidade.

Para Zogby, não exigir que o consumidor queime tanta gasolina "pode ser algo maior do que apenas adotar preços (baixos); pode ser uma mudança dramática na forma como consumimos em longo prazo".

Mas as grandes redes varejistas também enfrentam problemas. O WalMart fez uma previsão sombria para os resultados de maio, refletindo o desaquecimento econômico generalizado nos EUA.

Um sinal preocupante é que um pequeno segmento de consumidores está reagindo aos aumentos de preços colocando todas as compras no cartão.

Mais de 5% dos entrevistados disseram ter aumentado seu endividamento pessoal para arcar com os custos energéticos, e um pouco menos de 5 por cento disseram ter feito isso para comprar alimentos.

- Obviamente preocupa. Porque, se continuar, significa simplesmente que as pessoas não estão ganhando o suficiente para viver - disse Zogby.

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