Ataques racistas deixam 12 mortos na África do Sul

Agência AFP

JOHANNESBURGO - Pelo menos 12 pessoas morreram em uma série de ataques violentos contra imigrantes desde sexta-feira em Johannesburgo, a capital econômica da África do Sul, informou neste domingo a polícia.

- De sexta-feira até hoje, 12 pessoas morreram - declarou à AFP o policial Govindsamy Mariemuthoo, ao ser questionado sobre a onda de violência que começou no domingo passado e que se intensificou neste fim de semana.

- Aconteceram centenas de detenções - acrescentou.

A violência deste domingo foi centrada no centro da cidade e na zona leste.

A polícia utilizou balas de borracha para dispersar os grupos que tentavam atacar os estrangeiros e conseguiu apaziguar a situação no momento.

- Condenamos os ataques e continuaremos mantendo a ordem nas áreas afetadas, onde as forças policiais são numerosas - disse Mariemuthoo.

Um balanço anterior registrava seis mortes e 50 feridos em Johannesburgo.

Os estrangeiros, em particular os zimbabuanos que fogem da violência pós-eleitoral de 29 março, são os alvos dos ataques dos grupos armados com machados e armas de fogo nos bairros mais pobres de Johannesburgo.

- Muitos estrangeiros foram atacados e a maior parte dos danos aconteceu em propriedades de estrangeiros - afirmou a porta-voz da polícia, Cheryl Engelbrecht.

O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, anunciou neste domingo a criação de uma comissão para examinar os ataques racistas e pediu à polícia uma atuação firme contra os agressores.

- Esperamos que a comissão e a polícia trabalhem juntas e nos ajudem a encontrar o que há por trás de tudo isto - afirmou.

O presidente do Congresso Nacional Africano (ANC), Jacob Zuma, também condenou os atos violentos, os mais graves desde o início dos distúrbios, no dia 11 de maio, no subúrbio pobre de Alexandra.

- Não podemos permitir que a África do Sul seja conhecida pela xenofobia - declarou.

Nos últimos anos, a maior parte dos imigrantes na África do Sul veio do Zimbábue. De acordo com as autoridades, três milhões de zimbabuanos cruzaram a fronteira.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais