Bolívia é laboratório de futuros separatismos na região do Equador

REUTERS

EQUADOR - O presidente do Equador, Rafael Correa, disse no sábado que o referendo sobre a autonomia convocado por um rico departamento boliviano é um experimento influenciado por países estrangeiros para incentivar separatismos futuros na região e frear o socialismo.

Correa se solidarizou com seu colega boliviano, Evo Morales, e criticou o projeto de autonomia do departamento de Santa Cruz, descrevendo-o como um desafio à democracia e à unidade territorial da Bolívia que responde a um projeto ideológico vindo de fora do país e contrário aos governos de esquerda.

- São tentativas separatistas absolutamente ilegais. Os países da região não vão permitir esse tipo de atitude (...). Não permitiremos essas tentativas separatistas que, ademais, refletem influência estrangeira - disse Correa a jornalistas, falando do controvertido referendo boliviano do domingo.

O presidente nacionalista, aliado de Evo Morales, assegurou que existem movimentos semelhantes no Equador e na Venezuela que tentam disfarçar seus interesses 'separatistas' com outros referendos, mas, na opinião dele, há um consenso na comunidade latino-americano para ignorar esses processos eleitorais e políticos.

O departamento de Santa Cruz é o motor econômico da Bolívia e pede autonomia para promover políticas para a administração própria de seus recursos, principalmente os agrícolas e florestais. Mas o governo de Evo Morales considera a reivindicação uma tentativa de 'romper a ordem constitucional'.

Defensor do papel central do Estado nos diferentes níveis de gestão administrativa e política, Rafael Correa insistiu que essas tentativas de autonomia devem ser recebidas com uma política de tolerância zero.