Argentina: testemunha contra a ditadura reaparece

Agência AFP

BUENOS AIRES - Juan Puthod, sobrevivente da ditadura argentina e testemunha-chave em processos de violações dos direitos humanos no país, reapareceu nesta quarta-feira na localidade de Zárate, após desaparecer na noite anterior, informaram seus familiares.

O reaparecimento de Puthod foi confirmado por seus vizinhos, que o viram com "o rosto muito golpeado". Puthod era intensamente procurado pelas forças de segurança da província de Buenos Aires e seu caso provocou grande preocupação ao governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Puthod era intensamente procurado pelas forças de segurança da província de Buenos Aires e seu caso provocou grande preocupação ao governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner.

Sobrevivente de centros clandestinos de extermínio do regime militar, ativista dos direitos humanos e presidente da Casa da Memória da cidade de Zárate, a 90 km de Buenos Aires, Juan Puthod, 50 anos, estava desaparecido desde a noite de terça-feira.

Pelo menos 250 policiais, com o apoio de seis helicópteros, estavam a procura de Puthod, citado como o "segundo desaparecido" do regime democrático, após o sumiço de Julio López.

López, considerado o "primeiro desaparecido" durante a democracia, tinha 77 anos quando foi visto pela última vez na cidade de La Plata, 60 km ao sul da capital, onde foi supostamente seqüestrado por agentes clandestinos da época da ditadura, segundo a investigação judicial em marcha.

Assim como López, Puthod testemunhou nos julgamentos de crimes de lesa-humanidade cometidos pelo regime militar, durante o qual cerca de 30.000 pessoas desapareceram e outras dezenas de milhares foram exiladas, segundo organismos humanitários.