nem será julgado por contrabando de armas

JB Online

BUENOS AIRES - O ex-presidente da Argentina Carlos Menem irá a julgamento sob acusação de "contrabando qualificado". O processo investiga a venda de armas para Equador e a Croácia entre 1991 e 1995, período em que ele era presidente. As informações são do jornal argentino El Clarín.

A decisão foi aprovada na noite desta terça-feira pelo Tribunal Penal Econômico da Câmara Nacional.

Na terça-feira, o Tribunal da Câmara entendeu que o caso "se trataria de um complexo desdobramento de atividades coordenadas com a intenção de burlar o controle aduaneiro", e que "tal manobra teria como máxima instância decisória o ex-presidente Carlos Saúl Menem".

O delito prevê pena de 4 a 10 anos de prisão, que só poderia ser cumprida após a cassação da imunidade parlamentar de Menem.

O caso já rendeu ao atual senador nacional pela La Rioja cinco meses de prisão domiciliar em 2001 e, no ano passado, um bloqueio de bens e a retenção do passaporte.

O ex-presidente argentino é acusado de envolvimento na venda de 6,5 mil t de armamentos, entre rifles, canhões, foguetes e munições, ao Equador e à Croácia entre 1991 e 1995.

Para os deputados, existem elementos que comprovam que Menem sabia do esquema, inclusive do real destino das vendas.

Os responsáveis pelo contrabando teriam dito que os armamentos tinham como destino o Panamá e a Venezuela.

De acordo com a imprensa argentina, também se sentarão no banco dos acusados o ex-ministro da Defesa Oscar Camilión, o ex-chefe da Força Aérea Juan Paulik, o ex-assessor presidencial Emir Yoma e o traficante de armas Diego Palleros, entre outras 17 pessoas.

O debate público deveria ser iniciado no próximo dia 6 de maio, mas o Tribunal propôs que esta data seja mudada para o dia 8 de julho, com o intuito de que se incorporem ao processo o ex-presidente e outros acusados.