Líder rebelde de Timor Leste se rende

REUTERS

JACARTA - O líder do grupo rebelde acusado de tentar matar o presidente José Ramos-Horta se rendeu na terça-feira em Timor Leste, abrindo a perspectiva de que finalmente o jovem país alcance a estabilidade.

Gastão Salsinha e 12 de seus homens se entregaram ao vice-premiê José Luis Guterres, durante um encontro a portas fechadas na sede do governo, em Dili. Várias autoridades, inclusive o próprio Ramos-Horta, assistiram à reunião.

"Como indivíduo, não tenho ódio contra quem atirou em mim, eu o perdôo, mas como chefe de Estado [digo que] ele tem de enfrentar o tribunal para se explicar", acrescentou Ramos-Horta, que anteriormente identificava um dos rebeldes fugitivos como sendo o autor dos disparos.

O atentado contra o presidente de 58 anos, ganhador do Nobel da Paz, ocorreu em fevereiro, na casa dele, em Dili. Ramos-Horta voltou recentemente ao país, depois de passar dois meses se recuperando na Austrália.

- O povo quer saber quem lhes deu apoio na forma de uniformes, armas e balas - acrescentou Ramos-Horta, que irritou a vizinha Indonésia, ex-potência ocupante, por sugerir que elementos ligados a Jacarta estariam por trás dos atentados contra ele e contra o premiê Xanana Gusmão, que naquele mesmo dia escapou ileso de outro ataque.

Durante a rendição, os rebeldes entregaram armas, fardas camufladas, granadas e outros equipamentos militares.

Salsinha assumiu o comando dos rebeldes depois que o líder anterior, Alfredo Reinaldo, foi morto no atentado contra Ramos-Horta. Ele vinha negociando com as autoridades a partir de uma casa na localidade de Ermera, 75 quilômetros a oeste de Dili.

O dirigente rebelde afirmou que ele e seus homens haviam "se rendido à Justiça, não ao governo".

Havia mandados de prisão contra Salsinha, ex-tenente do Exército, e contra 22 outras pessoas por causa dos atentados contra Ramos-Horta e Xanana Gusmão.

Um major do Exército disse que dois rebeldes continuam foragidos.

O vice-premiê Guterres qualificou a rendição como "um grande dia para o povo do Timor Leste".

O pequeno Exército desta ex-colônia portuguesa se fragmentou em blocos regionais em 2006, quando cerca de 600 soldados foram exonerados, o que provocou uma onda de violência que matou 37 pessoas e fez 150 mil fugirem de suas casas. O governo pediu ajuda de tropas internacionais.

O analista político Rui da Cruz, da Universidade Nacional, elogiou a rendição, mas disse que o governo precisa se dedicar a levar os refugiados de volta para suas casas.

- O Estado deve acelerar a Justiça para Salsinha e tomar medidas imediatas para resolver o problema dos refugiados internos - afirmou.

Timor Leste, que ficou independente de Portugal em 1975, mas permaneceu sob ocupação indonésia até 1999, só se tornou independente em 2002, depois de um intervalo sob administração da ONU. O pequeno país é um dos mais pobres do mundo, mas tem importantes reservas de petróleo e gás.

O Parlamento decidiu na semana passada suspender o estado de emergência que vigorava desde os atentados, mas o estado de alerta em Ermera foi prorrogado por um mês.

Refletindo a melhora na segurança, o governo da Austrália anunciou a decisão de retirar 200 soldados que haviam sido enviados depois dos atentados de fevereiro.

Mais de 2.500 soldados e policiais estrangeiros permanecem em Timor Leste para tentar ajudar as autoridades locais a manterem a ordem.