Papa convida EUA a continuarem solucionando conflitos

Agência EFE

WASHINGTON - O papa Bento XVI convidou nesta quarta-feira os Estados Unidos a continuarem tentando solucionar os conflitos com 'o apoio paciente da diplomacia internacional', em discurso na Casa Branca antes de se reunir com o presidente George W. Bush.

O papa disse que os EUA se 'mostram sempre generosos ao irem ao encontro das necessidades humanas imediatas, promovendo o desenvolvimento e oferecendo alívio para as vítimas das catástrofes naturais'.

Neste sentido, comunicou sua 'esperança de que esta preocupação com a grande família humana continuará se manifestando com o apoio paciente da diplomacia internacional orientado a solucionar conflitos e a promover o progresso'.

- Desta forma as futuras gerações poderão viver em um mundo no qual floresça a verdade, a liberdade e a justiça. Um mundo onde a dignidade e os direitos dados por Deus a cada homem, mulher e criança sejam levados em consideração protegidos e promovidos eficazmente - acrescentou.

O pontífice iniciou seu discurso explicando que chega aos EUA "como amigo e anunciador do Evangelho e como alguém que tem grande respeito por esta vasta sociedade pluralista'.

Ele afirmou que 'os católicos da América ofereceram e seguem oferecendo uma excelente contribuição à vida de seu país' e desejou que sua visita aos EUA, que começou ontem e que irá até domingo, "possa ser fonte de renovação e esperança para os EUA' e reforce a vontade dos católicos de contribuírem de forma mais responsável para a vida desta nação.

O discurso do papa esteve centrado na liberdade e em particular, na liberdade religiosa.

Desde o nascimento dos EUA, 'a busca da liberdade da América foi guiada pela convicção de que os princípios que governam a vida política e social estão intimamente relacionados com uma ordem moral, baseada no senhorio do Deus criador'.

O papa destacou como 'as crenças religiosas' são 'inspirações efetivas' e uma força de orientação nos EUA, e indicou os exemplos da luta contra a escravidão e no movimento pelos direitos civis.

Lembrando que nesta viagem realizará encontros com representantes de outras religiões, Bento XVI afirmou como nos EUA 'todos os crentes encontraram a liberdade de adorar a Deus, segundo as determinações de sua consciência,' e podem expressar sua própria voz.

Além disso, disse que 'a liberdade não é apenas um dom, mas é também uma chamada à responsabilidade pessoal' e lembrou como "muitos americanos sacrificaram suas vidas em defesa dela tanto em sua própria terra como em outros lugares'.

Para o pontífice, a defesa da liberdade 'é uma chamada para cultivar a virtude, a autodisciplina, o sacrifício do bem comum e um sentido de responsabilidade diante dos menos afortunados'.

Assim como, acrescentou, 'exige o valor de se empenhar na vida civil, levando as próprias crenças religiosas e os valores mais profundos a um debate público razoável'.

O papa citou seu antecessor João Paulo II, que dizia que 'em um mundo sem valores a liberdade perde seu fundamento' e que uma "democracia sem valores perde sua própria alma'.

Outro a ser citado pelo líder da Igreja Católica foi o presidente americano, que, em seu discurso, afirmou que a religião e a moralidade 'são suportes indispensáveis' para a 'prosperidade política'.

Segundo Joseph Ratzinger, a Igreja está convencida de que 'a fé projeta uma luz nova sobre todas as coisas e que o Evangelho revela a nobre vocação e o destino sublime de todo homem e mulher'.

Dirigindo-se aos americanos, o papa afirmou que, 'como os pais fundadores do país bem sabiam, a democracia só pode florescer quando os líderes políticos e aqueles que eles representam são guiados pela verdade e aplicam sabedoria, que nasce de firmes princípios morais, às decisões que concernem à vida e ao futuro'.

Ratzinger falou também de sua visita na próxima sexta à sede da ONU, onde espera 'encorajar os esforços que estão fazendo para dar a esta entidade uma voz ainda mais eficaz a favor das expectativas legítimas de todos os povos do mundo'.

- A exigência de uma solidariedade global é mais urgente que nunca, caso queira que todos possam viver de acordo com sua dignidade, como irmãos e irmãs que vivem na mesma casa - acrescentou.

O Papa encerrou seu discurso expressando sua gratidão por este encontro, e desejando 'justiça, prosperidade e paz' ao país, e conclui com uma das frases símbolo nos EUA: 'Que Deus abençoe a América'.