Papa inicia visita aos EUA e deve citar escândalos

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WASHINGTON - O papa Bento 16 chegou na terça-feira a Washington para a sua primeira visita pontifícia aos EUA, e mesmo antes de pousar se disse 'profundamente envergonhado' pelos escândalos de pedofilia que marcaram a imagem da Igreja Católica no país.

Durante o vôo, o papa prometeu a jornalistas que vai se empenhar para manter pedófilos foram do clero. Desde que os primeiros casos foram denunciados, em 2002, as dioceses norte-americanas já tiveram de pagar 2 bilhões de dólares em indenizações. Cinco delas faliram.

Ao longo de seis dias, o papa vai discursar na ONU, rezar missas em estádios de beisebol, encontrar educadores católicos e líderes de outras religiões e visitar uma sinagoga. Mas não deve se esquivar da espinhosa questão dos abusos sexuais.

- Vamos absolutamente excluir os pedófilos do ministério sagrado - disse o pontífice a jornalistas. 'A Igreja vai examinar os candidatos ao clero, para que apenas pessoas realmente sãs sejam admitidas. É mais importante ter bons padres do que ter muitos padres.'

O presidente George W. Bush recepcionou o papa na Base Aérea de Andrews, nos arredores de Washington. É a primeira vez que ele se desloca até o aeroporto para receber um dignitário. Eles não fizeram declarações públicas, mas simpatizantes cantaram 'Parabéns a Você' para o papa, que completa 81 anos na quarta-feira.

Uma pesquisa Washington Post-ABC News publicada na terça-feira mostrou que quase três quartos dos católicos norte-americanos aprovam o pontificado de Bento 16, mas que a maioria discorda das posições da Igreja e da forma como o escândalo de pedofilia foi conduzido.

Cerca de metade dos entrevistados quer que o papa dê ênfase aos ensinamentos tradicionais, enquanto 45 por cento preferem práticas 'que reflitam as atitudes e estilos de vida dos católicos modernos.'

Bento 16 disse que o escândalo de abuso sexual provocou 'grande sofrimento' para a Igreja nos EUA e também 'para mim pessoalmente'.

- É difícil entender como foi possível que padres traíssem dessa forma sua missão de levar a cura, de levar o amor de Deus a essas crianças - disse ele.

Durante uma entrevista coletiva em Boston, onde o escândalo começou em 2002, várias vítimas de abusos sexuais do clero disseram que o papa não pareceu sincero em suas declarações.

- Ele deveria se envergonhar por não encontrar os sobreviventes e falar conosco - disse Robert Costello, fundador da entidade Uma Questão de Verdade.