Papa elogia papel da fé na vida pública dos EUA

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WASHINGTON - O papa Bento XVI elogiou o papel da fé na vida pública norte-americana, em comparação com a Europa, mais laica.

Falando a jornalistas no avião que o leva à primeira viagem de seu pontificado aos EUA, o papa alemão disse que os países europeus não poderiam copiar o modelo norte-americano, porque têm suas próprias histórias e tradições, mas poderiam aprender algumas lições com o sistema dos EUA.

Bento XVI costuma criticar os países europeus por renegarem suas raízes cristãs e por transformarem a separação entre Igreja e Estado que ele apoia em uma política de negar à religião um papel na vida pública.

- O que eu acho fascinante nos EUA é que o país começou com um conceito positivo de Estado laico. Essa gente nova foi formada por comunidades e povos que fugiram de Igrejas estatais e quiseram um Estado laico, secular, aberto a possibilidades para todas as confissões, para todas as formas de expressão religiosa - afirmou.

- Eles foram contra uma Igreja do Estado precisamente por amor à religião e à sua autenticidade, que só pode ser vivenciada livremente - disse.

Estima-se que nos EUA um terço dos católicos freqüentem a missa regularmente, bem mais do que os 10 a 20 por cento que o fazem na Europa. Os políticos norte-americanos estão habituados a falar da sua fé, ao contrário da Europa, onde o assunto é considerado inadequado.

Apesar das diferentes tradições nos dois lados do Atlântico, como o escritor francês Alexis de Tocqueville notou já na década de 1830, ambas as sociedades estiveram sob forte pressão do secularismo moderno, acrescentou Bento XVI.

- Mesmo agora nos Estados Unidos, há um ataque do novo secularismo que é completamente diferente [da época de Tocqueville], e portanto há novos problemas - concluiu.