Otan apóia escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu

JB Online

BUCARESTE - Os 26 membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram dar seu pleno apoio ao escudo antimísseis que os Estados Unidos querem posicionar no Leste Europeu, informou altos funcionários americanos, que pediram para não serem identificados.

Segundo essas fontes, os países da Aliança adotarão hoje um comunicado no qual reconhecerão a proteção que o escudo dará à Europa frente a possíveis ataques do Oriente Médio, e pedem à Rússia, que considera o sistema uma ameaça, que retire suas objeções.

Os aliados 'dirão que a ameaça que representa o lançamento de mísseis balísticos é cada vez maior', acrescentaram. No documento, os países da Otan afirmam que seus especialistas militares analisarão vias para vincular o escudo americano aos sistemas defensivos antimísseis atuais e futuros da Aliança.

Estes especialistas apresentarão um relatório dentro de um ano, em sua próxima cúpula, sobre suas recomendações para 'uma arquitetura exaustiva de defesa antimísseis para as partes desprotegidas da Aliança', disseram.Os Estados Unidos planejam posicionar 10 plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia e um sistema de radares na República Tcheca.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deve se reunir no domingo em Sochi com seu colega russo, Vladimir Putin, para explicar que o escudo antimísseis não tem como objetivo a Rússia, mas impedir possíveis ataques de países inimigos no Oriente Médio.

Tanto Rússia quanto os EUA se mostraram otimistas sobre a possibilidade de conseguir avanços em Sochi.O apoio da Otan ao sistema defensivo representa uma boa notícia para o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que ontem à noite observou que os países da Aliança não chegavam a um acordo sobre uma de seus principais propostas, a oferta de um plano de ação que abrisse as portas à Ucrânia e à Geórgia a uma futura entrada na organização.

Os aliados ofereceram a entrada plena à Croácia e Albânia, mas atrasaram o de um terceiro aspirante, a Macedônia, até que este país resolva a disputa sobre seu nome com a Grécia.

Bush também alcançou êxito em outro objetivo: o compromisso dos aliados de enviar mais tropas ao Afeganistão para reforçar a missão da Otan no país asiático, que atualmente conta com 47.000 soldados.

A França prometeu o envio de um batalhão, que ficará no leste do país.

Em seu discurso na reunião, segundo os funcionários de alta categoria, Bush disse que isso permitirá aos EUA liberar efetivos dessa zona e deslocá-los para o sul, onde o contingente canadense ameaçava se retirar se não houvesse um reforço de pelo menos mil homens.

Bush elogiou Sarkozy, disseram os representantes americanos, e comparou o efeito de sua visita do ano passado aos EUA com 'a última encarnação de Elvis' Presley.O presidente americano também expressou seu apoio a 'maiores laços entre a Otan e a União Européia', uma idéia defendida por Sarkozy.

O líder francês anunciou hoje o retorno de seu país à estrutura militar da Aliança, que tinha abandonado em 1966.