Hillary apresenta propostas para mercado financeiro

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WASHINGTON - Os planos do atual governo dos Estados Unidos para reformar as regras do mercado financeiro norte-americano são 'tímidos demais', afirmou a pré-candidata do Partido Democrata às eleições presidenciais, Hillary Clinton, no domingo, ao apresentar seu conjunto de propostas para a questão. Hillary, senadora pelo Estado de Nova York, defendeu a fixação de novos padrões para credores de hipoteca, reformar as agências de avaliação para evitar conflitos de interesse, estipular um limite máximo de 30 por cento de juros sobre todos os cartões de crédito e dar mais autoridade imediata ao Federal Reserve (Fed, banco central) para regulamentar as instituições financeiras.

Os comentários de Hillary, feitos durante uma entrevista à Reuters, surgiram um dia antes de o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, divulgar as propostas do governo para reformar as regras do mercado financeiro.

- Ainda persiste um grande abismo entre o que o governo está propondo e a crise imediata com que nos deparamos. Apesar de eu ver com bons olhos algumas das recomendações, e concordar com algumas delas, o projeto é simplesmente tímido demais - disse a pré-candidata, que concorre com o senador Barack Obama pela vaga do Partido Democrata nas eleições presidenciais de novembro.

Hillary defendeu a aprovação de novas leis para hipoteca, com um processo mínimo de licenciamento, supervisão e requisição de capital, impondo regras semelhantes àquelas válidas para os bancos. A pré-candidata criticou a proposta do governo do presidente George W. Bush de criar uma comissão sobre a questão, considerando a proposta 'insuficiente e tardia'. Obama também propôs uma maior ingerência governamental sobre o sistema financeiro norte-americano e defendeu as propostas de Paulson relacionadas à inadequação do Fed.

O senador John McCain, que conquistou a vaga do Partido Republicano no pleito presidencial, disse por meio de uma porta-voz que analisaria as propostas do governo. Hillary, que argumenta estar mais capacitada do que Obama e McCain para comandar a economia norte-americana, acusou o rival republicano de se omitir.

- Não podemos aceitar a postura adotada pelo governo de 'esperar e não ver'. Não podemos aceitar a postura do senador McCain de ficar parado - disse.

As agências de avaliação de crédito não deveriam mais receber compensações das instituições que analisam, afirmou a pré-candidata, ou então serem sujeitadas a novas regras para garantir sua independência. Essas diretrizes poderiam incluir acatar os padrões de independência adotados pela SEC (órgão que regula o mercado de ações dos EUA) ou criar um ombudsman independente para essas agências aprovado pela SEC.

- Deveríamos parar de falar sobre os conflitos de interesse e as falhas das agências de avaliação para fazermos alguma coisa a respeito - afirmou Hillary.