Bush viaja à Ucrânia para defender entrada do país na Otan

JB Online

KIEV - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, partiu hoje de Washington rumo à Ucrânia, a primeira etapa de sua viagem pelo Leste Europeu, onde deve pressionar os aliados para incluir Kiev na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Bush deixou a capital americana às 8h15 (de Brasília) e deve chegar a Kiev às 17h (de Brasília).

Antes de viajar, Bush pediu ao Congresso para aprovar leis pendentes - 'prioridades vitais', segundo afirmou -, dentre as quais o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia.

Durante sua curta passagem de menos de 24 horas pela Ucrânia, o presidente dos EUA deve se reunir amanhã de manhã com seu colega ucraniano, Viktor Yushchenko, e com a primeira-ministra do país, Yulia Tymoshenko, a quem expressará sua satisfação com as reformas democráticas empreendidas no país.

Bush, que amanhã mesmo seguirá para Bucareste para participar da Cúpula da Otan, também deve aproveitar sua visita para pressionar os países-membros a oferecerem à Ucrânia e à Geórgia um 'plano de ação'

que abra caminho para uma futura entrada plena na aliança militar.

O presidente americano entende o 'plano de ação' como uma maneira de estimular as reformas democráticas na Ucrânia, um país que quis visitar em 2006, mas cujas dissensões no Governo fizeram-no mudar de idéia.

A Otan será beneficiada, assim como a Ucrânia e a Geórgia, se esses dois países entrarem na aliança militar, afirmou Bush na semana passada em um encontro com jornalistas do Leste Europeu.

No entanto, para Bush conseguir o 'sim' dos aliados para o ingresso de Kiev e Tbilisi, ele terá pela frente uma missão difícil.

Países como a Alemanha se mostraram muito reticentes à entrada na Otan da Ucrânia e da Geórgia, antigas repúblicas soviéticas, depois que a Rússia deixou muito claro sua oposição a qualquer medida nesse sentido.

Bush, impopular em seu país e no exterior e a apenas nove meses do final de seu mandato, tem cada vez menos capacidade de persuasão sobre os aliados, que já começam a ver o futuro com os pré-candidatos democratas Hillary Clinton e Barack Obama ou o republicano John McCain na Casa Branca.

Mesmo dentro da própria Ucrânia, as pesquisas revelam que a entrada na Otan é bastante impopular.Centenas de opositores ucranianos de esquerda montaram hoje tendas de campanha na Praça da Independência, em Kiev, como protesto pela visita de Bush e contra o ingresso do país na aliança militar.

"Otan, vete os EUA', 'Não à Otan' e 'Bush, ditador sanguinário'

diziam alguns dos cartazes dos manifestantes que atenderam à convocação dos partidos Comunista (PCU) e Socialista da Ucrânia (SPU).

Os aliados poderiam oferecer o ingresso à Croácia, à Macedônia e à Albânia.

Mas a Macedônia se encontra imersa em uma disputa sobre seu nome com a Grécia, que ameaça vetar a entrada desse país. E há países que apontam que, se essa ex-república iugoslava não for aceita, a Albânia também poderia entrar na aliança.

Durante a cúpula, os aliados também abordarão, entre outros assuntos, o envio de mais tropas ao Afeganistão, um dos assuntos nos quais Bush mais deve insistir.A viagem de Bush será completada após uma passagem pela Croácia, onde almoçará com representantes dos países aos quais será oferecida a entrada na aliança militar, e por Sochi (Rússia).

Em Sochi, Bush deve se reunir com o presidente russo em fim de mandato, Vladimir Putin, com o qual vem mantendo uma relação tensa.A Casa Branca disse que nessa cúpula se poderia chegar finalmente a um acordo sobre o escudo antimísseis que os EUA querem desdobrar no Leste Europeu e que o Kremlin considera uma ameaça, assunto que esfriou consideravelmente as relações bilaterais entre Washington e Moscou.