Talibãs do Paquistão elogiam convite do governo para dialogar

Agência AFP

KHAR - O movimento talibã paquistanês recebeu com satisfação neste domingo o convite ao diálogo por parte do novo primeiro-ministro, Yusuf Gilani, mas insistiu que o governo abandone sua política pró-americana.

No sábado, o primeiro-ministro pediu aos combatentes islamitas que largassem suas armas e participassem da vida política.

- Nós ficamos contentes com o anúncio do governo e com a intenção de iniciar negociações com o movimento dos talibãs para melhorar a segurança no país - declarou Maulvi Omar, porta-voz do grupo, durante uma entrevista por telefone com vários jornalistas.

As conversas "terão um impacto muito positivo sobre a situação da segurança", reiterou, alertando que "o governo federal deveria deixar imediatamente de lutar pelos interesses americanos".

O movimento talibã expressou suas exigências neste domingo durante uma congregação com aproximadamente cinco mil habitantes e combatentes islamitas nas zonas tribais, em Inayat Kili.

- Os talibãs são paquistaneses patriotas e seu movimento não é contra o governo - afirmou o chefe do Movimento dos Talibãs do Paquistão, Maulvi Faqir Mohammad.

- Estamos dispostos a conversar com o governo para solucionar os problemas mediante negociações, mas o governo deve abrir mão de sua política pró-americana - disse Maulvi.

Faqir Mohammad é um lugar-tenente de Baitullah Mehsud, "combatente" dos talibãs paquistaneses e suposto chefe da Al-Qaeda no Paquistão, a quem as autoridades acusam de estar por trás dos atentados que custaram a vida da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em 27 de dezembro de 2007. Mehsud desmente essas acusações.

No sábado, Gilani, do partido de Benazir Bhutto, se mostrou aberto ao diálogo, durante um discurso na Assembléia nacional.