Camponeses assassinados são tidos como guerrilheiros, diz jornal

Agência EFE

WASHINGTON - Milhares de camponeses foram assassinados pelo Exército colombiano para que se passassem por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), denunciou neste domingo o diário Washington Post em um relatório.

Cerca de mil camponeses foram assassinados por militares colombianos nos últimos cinco anos, quando foi intensificada a luta contra os guerrilheiros das Farc, revelou o Washington Post, segundo relatórios de grupos de direitos humanos e testemunhos de famílias das vítimas.

No relatório, os testemunhos das famílias camponesas ou de baixos recursos afirmaram que viram em fotos os cadáveres de seus parentes desaparecidos vestidos com a indumentária de camuflagem usada pela guerrilha.

Segundo várias organizações humanitárias citadas pelo jornal, desde 2002 até meados de 2007, 955 civis foram assassinados e classificados como guerrilheiros mortos em combate.

Estes números supõem um aumento de 65% em relação aos números registradas anteriormente.

O aumento coincide com a ofensiva iniciada pelo Governo do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, há seis anos contra a guerrilha das Farc, e que foi financiada em parte pelos Estados Unidos.

O jornal declarou que o aumento da pressão sofrida pelos militares colombianos para acabar com a guerrilha provocou um aumento das mortes de camponeses pobres, que fazem passar por guerrilheiros.

O diário também afirmou o grande aumento das forças armadas colombianas, que cresceram até alcançar os 270 mil membros, a segunda maior da América Latina.

- Antes víamos (esses assassinatos) como algo isolado, como se tratasse de uma patrulha militar que perdeu o controle, mas agora vemos que é algo sistemático - declarou ao diário Bayron Gongora, da organização Liberdade Judicial, que representa em Medellín os familiares de 110 assassinados nestas circunstâncias.

O Washington Post contou que o exército costuma abrir investigações sobre estes assassinatos, mas quando se transforma em um caso criminal, passa aos juízes ordinários.

As organizações de direitos humanos denunciaram que quando os casos chegam aos juízes, as provas são manipuladas, e em muitas ocasiões os juízes sofrem pressões dos militares para dar pareceres a seu favor.