Setor agropecuário argentino retoma a greve após fracasso de reunião

Agência EFE

BUENOS AIRES - O setor agropecuário da Argentina decidiu neste sábado, retomar a paralisação e os protestos que haviam sido suspensos na última sexta, argumentando 'intransigência' do governo para pôr fim ao conflito iniciado há 17 dias, disseram à Agência Efe fontes agrárias.

As quatro maiores associações de trabalhadores rurais, em conflito com o governo, retomaram os bloqueios parciais nas estradas argentinas após o fracasso da reunião realizada na última sexta com as autoridades locais.

Entretanto, porta-vozes das quatro entidades deixaram claro que mantêm sua 'disposição para o diálogo com o governo', embora tenham reiterado sua reivindicação para que o Executivo suspenda o recente aumento de impostos às exportações de grãos, o que provocou o conflito.

- A Federação retoma a greve até a próxima quarta - anunciou o presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi, após a assembléia realizada pela entidade na província de Santa Fé.

Já a Confederações Rurais Argentinas (CRA), a Sociedade Rural Argentina (SRA) e Coninagro, as outras três associações envolvidas no movimento, não disseram até quando se estenderá a medida.

- Entre amanhã (domingo) e segunda as quatro entidades vão se reunir para analisar os passos a seguir e como continuam as negociações com o Governo - disseram porta-vozes da SRA.

Os bloqueios já foram reiniciados em vários povoados do interior do país, onde produtores rurais impedem a passagem de caminhões, embora permitam a circulação de mercadorias para o consumo interno, como o leite, para que o abastecimento não seja prejudicado.

- Existe um forte mal-estar com o Governo. Fizemos um grande esforço para suspender na sexta a medida de força e não houve nenhuma resposta concreta na reunião que se prolongou até esta madrugada - afirmaram fontes do setor à Efe.

O representante da SRA, Luciano Miguens, alegou neste sábado que o Governo mostrou 'total dureza' na negociação e frustrou as expectativas dos dirigentes do setor durante o encontro com o chefe de Gabinete, Alberto Fernández, e outras autoridades.

Tanto fontes da Sociedade Rural como da Federação Agrária disseram que as quatro entidades em conflito mantêm contato por telefone e ratificaram que 'a união' do setor do campo continua.

Pelo lado do Executivo, que tinha posto o fim da paralisação e dos bloqueios de estradas como condição para iniciar um diálogo, não houve comentários sobre a decisão dos sindicatos rurais de retomarem a greve, iniciada no dia 13 de março.

Durante a reunião com as autoridades, os dirigentes das quatro associações, que representam juntas cerca de 290 mil produtores do setor, reivindicaram a suspensão do aumento dos impostos.

O bloqueio nas estradas causou o desabastecimento de produtos básicos em muitas cidades da Argentina e a greve comercial também causou impacto em outros setores da economia, como o transporte de carga e passageiros.

A suspensão temporária da paralisação permitiu que cerca de 230 caminhões com frutas e verduras chegassem nas últimas horas ao Mercado Central de Buenos Aires após ficarem retidos nas estradas do país.

O protesto dos trabalhadores rurais recebeu demonstrações de apoio da população de Buenos Aires e de outras grandes cidades argentinas, que esta semana realizaram 'panelaços' após a presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner, se mostrou irredutível em relação à 'extorsão' dos produtores agropecuários.

A tensão começou a ceder na última quinta, quando a governante moderou seu discurso ao afirmar que as portas da Casa de Governo "estavam abertas' e pedir aos trabalhadores rurais que 'parassem a greve para dialogar'.

Ao finalizar o encontro desta sexta, o chefe de Gabinete prometeu que a administração central trabalhará para que os pequenos produtores 'tenham a rentabilidade que lhes corresponde'.