Governo dos EUA prepara novas medidas em resposta à crise econômica

Agência EFE

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos pretende lançar um plano de resgate para os americanos ameaçados de despejo e uma reforma profunda da regulação financeira do país, como resposta à crise econômica atual.

A violência pode ter se intensificado no Iraque, mas a economia é agora o tema que domina os discursos do presidente George W. Bush e a agenda de sua administração.

Não é para menos, pois o país vive a crise imobiliária mais profunda desde a Grande Depressão de 1929, que contagiou o resto da economia e provocou grandes perdas às instituições financeiras.

O presidente Bush destacou neste sábado, em sua mensagem via rádio, que mais de 130 mil famílias poderiam refinanciar seus empréstimos graças à Administração Federal de Moradias (FHA, em inglês). - Este é um bom começo - disse.

- Estamos estudando formas para que este programa possa ajudar mais proprietários - acrescentou o governante americano.

Por ideologia, o Governo republicano de Bush se recusa a colocar a mão na economia, mas a pressão de um Congresso dominado por democratas e a preocupação dos americanos em um ano eleitoral impuseram o pragmatismo na administração.

Assim, entre hoje e nesta sexta-feira, foram divulgados à imprensa americana, dois novos planos econômicos prontos para serem oficialmente publicados. O primeiro prevê ajudar os americanos que - devido à queda dos preços do metro quadrado - devem mais aos bancos que o valor de sua casa.

Segundo o plano, a FHA proporcionará garantias de pagamento desses empréstimos aos bancos, em troca que estes perdoem uma parte da dívida dos proprietários, o que faria reduzir o valor das parcelas da hipoteca. Trata-se da mesma idéia adiantada há duas semanas pelo legislador democrata Barney Frank, que preside o Comitê de Serviços Financeiros da câmara baixa.

O projeto de lei de Frank permite à FHA assegurar o pagamento de hipotecas no valor de US$ 300 bilhões adicionais, sempre que os credores concordarem em perdoar parte das dívidas dos mutuários em atraso.

O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, também solicitou às pessoas endividadas que façam empréstimos para pagar uma porcentagem da dívida, o que seria mais barato para eles do que manter o processo de execução da hipoteca e vender as casas a preço de saldo.

A inadimplência disparou nos EUA no último ano - em 2007 houve 1,5 milhão de execuções hipotecárias, enquanto no ano anterior haviam sido 950 mil. O novo plano do Governo supõe uma grande injeção de dinheiro para diminuir os despejos de inquilinos. O presidente Bush iniciará na segunda-feira uma viagem pela Europa, e é provável que anuncie oficialmente a proposta na volta.

Segundo vários especialistas, grande parte dos problemas dos EUA se deve a uma regulação inadequada quando os bancos concederam hipotecas aos cidadãos no ápice do 'boom' imobiliário e vendiam em pacotes financeiros na bolsa.

A segunda proposta da administração responde diretamente a essa crítica, ao dotar o Fed de muito mais poder para investigar as contas dos bancos de investimento, fundos de risco e qualquer outra entidade que possa ameaçar a estabilidade do sistema financeiro. O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, anunciará oficialmente o plano em um discurso na segunda-feira.

Essa medida também chega depois de os democratas pedirem uma regulação mais severa das companhias de Wall Street e dos bancos que estenderam hipotecas a pessoas que eram incapazes de pagá-las, com a expectativa que o preço do imóvel seguiria subindo.

Os EUA foram advertidos mais de uma vez de que todas as bolhas, eventualmente, explodem. Com seus dois novos planos de ação o Governo tenta agora remediar o dano.