Eleições no Zimbábue acontecem em ritmo lento e com poucos incidentes

Agência EFE

HARARE - Lentamente e quase sem enfrentar maiores incidentes, os habitantes do Zimbábue participam hoje das eleições gerais, nas quais Robert Mugabe, presidente do país e no poder desde 1980, tenta a reeleição.

A votação começou às 7h (2h de Brasília), mas horas antes já havia filas de pessoas esperando a abertura das seções eleitorais, que devem receber cerca de 6 milhões de zimbabuanos.

No meio do dia, as fileiras de eleitores se movimentavam muito lentamente, embora não fossem muito compridas na capital Harare e na cidade de Chitung-wiza.

No interior do país, a lentidão na votação se repete, já que, em algumas localidades, alguns eleitores esperam até duas horas e meia para votar.

A demora nas seções eleitorais decorre do fato de que esta é a primeira vez que o Zimbábue realiza eleições presidenciais, legislativas e municipais simultaneamente.

Por conta disse, cada eleitor tem demorado, em média, um minuto para depositar seu voto na urna.

- Estou aqui para defender a terra do meu pai, para que ela não seja dada aos brancos - disse à Agência Efe o jovem negro Taurai Ndoro, do bairro de Avondale, em Harare.

No início desta década, Mugabe, de 84 anos, empreendeu uma vasta reforma agrária que expropriou mais de três mil fazendas, tiradas das mãos de produtores brancos para serem dadas a camponeses negros.

No entanto, a reforma agrária foi tão caótica que, juntamente com outros fatores, gerou a pior crise financeira da história do país que enfrenta uma inflação de 100.000% e uma taxa de desemprego de aproximadamente 80%.

- Quero votar porque estive desempregado nos últimos cinco anos e quero um partido que consiga gerar empregos - disse Moses Dong, de 29 anos.

Por sua vez, a vendedora Betty Gwae, de 51 anos, declarou que estava indo às urnas para poder criar seus filhos.

- Quero votar no partido que dê alimentos e uma casa para minha família - destacou.

As eleições no Zimbábue acontecem em meio aos temores da oposição de que, assim como aconteceu no pleito presidencial de 2002 e no legislativo de 2005, o regime de Mugabe tente manipular o resultado em favor do partido da situação.