Troca de reféns abriria negociação de paz com as Farc, diz OEA

Adriana Garcia, REUTERS

NOVA YORK - A proposta de uma troca de reféns por prisioneiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) divulgada pelo governo colombiano poderia ser a 'chave' das negociações políticas para conseguir a paz no país andino, disse nesta sexta-feira o secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

Depois de notícias de que a saúde da política franco-colombiana Ingrid Betancourt, sequestrada pela guerrilha em 2002, está em situação crítica, o presidente Alvaro Uribe propôs libertar automaticamente rebeldes presos em troca da liberdade dela.

- Ao tornar pública sua proposta, o governo colombiano reflete sua decisão total de cumprir o compromisso assumido - afirmou o secretário da OEA em um comunicado no qual comenta a decisão do presidente.

- Um intercâmbio completo poderia ser a chave que abra o caminho a uma verdadeira negociação política para alcançar a paz - acrescentou.

Insulza apontou que toda a comunidade internacional apoiaria essa negociação e que a libertação de Betancourt era uma 'apelação a um mínimo de humanidade para proceder sua libertação imediata e incondicional'.

Uribe também manteve a oferta de um fundo de 100 milhões de dólares para os integrantes que abandonarem a guerrilha mais antiga do continente, com cerca de 17.000 combatentes.

A proposta veio depois de que o promotor público Wolmar Pérez disse que obteve informação de que Betancourt, de 46 anos, está gravemente doente, com leishmaniose e hepatite B, e teve que receber assistência médica em fevereiro em postos de saúde de vilarejos localizados no meio da selva.

O alto comissário colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo, disse que embora a prioridade seja Betancourt, a iniciativa busca libertar os 40 sequestrados por motivos políticos, incluindo três norte-americanos. As Farc buscam trocar esses reféns por cerca de 500 guerrilheiros encarcerados.

Os contatos com o grupo se perderam depois da morte de Raúl Reyes, o líder número dois da guerrilha, depois de um ataque das forças militares da Colômbia a um acampamento rebelde em uma zona florestal do Equador.