Sete russas de seita que espera fim do mundo abandonam catacumba

Agência EFE

MOSCOU - Sete mulheres de uma seita apocalíptica russa que proclama que o fim do mundo está chegando abandonaram hoje a catacumba onde se encontravam desde novembro do ano passado devido a um desmoronamento de terra.

- No interior da caverna ocorreu um desmoronamento devido à chuva. Por isso, os seguidores se dividiram em dois grupos - informaram à agência 'Interfax' as autoridades da região de Penza, que se encontra mais de 600 quilômetros ao sudeste de Moscou.

Os membros da seita A Verdadeira Igreja Ortodoxa Russa são, em sua maioria, mulheres procedentes de Belarus e Ucrânia e seu líder é Piotr Kuznetsov, de 43 anos, que foi diagnosticado com esquizofrenia.

As autoridades definem o grupo como 'uma seita ortodoxa radical e apocalíptica'.

As sete mulheres decidiram voltar à superfície após vários minutos de negociações com a Polícia e, depois, foram examinadas pelos médicos.

Os outros 28 adeptos 'optaram por esperar a chegada da Páscoa Ortodoxa russa', em 27 de abril, quando prometeram sair da catacumba.

- As quatro crianças permanecem na catacumba. Prosseguimos as conversas - três metros abaixo da terra, acrescentou, por sua vez, um porta-voz da Promotoria à agência 'RIA Novosti'.

Na cova, os seguidores da seita fizeram estoque de alimentos, água e vários bujões de gás e vasilhas com gasolina, suficientes para durar até o final do mês, quando deveria acontecer o Apocalipse.

Até agora, as autoridades locais tentaram, sem resultados, persuadir-lhes a abandonar o bunker, mas eles respondem que 'atearão fogo' em si mesmos se alguém tentar descer a seu refúgio antes que chegue o juízo final.

Piotr Kuznetsov já proclamou publicamente que era um profeta e, recentemente, anunciou a iminente chegada do Anticristo.

Um grupo de especialistas em psiquiatria da Promotoria russa disse que Kuznetsov, detido pela Polícia em novembro, sofre de "demência'.

O líder da seita poderia ser condenado a três anos de prisão por criar uma organização religiosa por meios violentos e por incitar o ódio religioso e estar de posse de literatura radical.

Alguns especialistas aconselharam as autoridades a agir com cautela, já que os membros da seita poderiam 'cometer um suicídio coletivo' se acreditarem que as forças de segurança planejam invadir a cova.

Uma situação parecida ocorreu em março de 2000, quando mais de cem membros da seita religiosa apocalíptica Restauração dos Dez Mandamentos de Deus se mataram em Uganda em um ritual em massa após se trancarem em uma igreja e incendiá-la.

Segundo a Associação de Centros de Estudo de Religiões e Seitas, na Rússia há em torno de 80 seitas e cultos seguidos por entre 600 mil e 800 mil membros.

A maioria destas seitas surgiu após a desintegração da União Soviética, aproveitando o vazio ideológico e espiritual deixado pela queda do comunismo.