Presidente argentina só negocia com fim da paralisação agrícola

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BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse na quinta-feira que o governo só vai negociar com os produtores rurais caso eles suspendam a paralisação iniciada há duas semanas por causa de um imposto sobre as exportações de soja.

A paralisação provoca escassez de alimentos no país e afeta as exportações de grãos para China, Europa e outros lugares.

'As portas do governo estão abertas, mas, por favor, suspendam a medida, pelo bem do povo', disse Cristina, adotando um tom duro em discurso a seguidores.

A presidente defendeu o novo imposto sobre a soja, alegando que isso ajuda a diversificar a produção e combater a pobreza.

'Não é uma política anti-soja, é uma política pró-Argentina, pró-povo e pró-campo também', afirmou.

Em seu discurso, transmitido ao vivo por redes de TV, Cristina disse que o governo já reduziu taxas de exportação sobre o milho e o trigo, para estimular a produção desses grãos, essenciais no mercado doméstico. No caso da soja, a maior parte da produção é exportada.

Líderes ruralistas se reuniram na quinta-feira para discutir uma possível interrupção de 48 horas na greve.

Enquanto isso, grupos de pequenos e grandes produtores rurais mantêm bloqueios rodoviários no interior e realizam manifestações em cidades de áreas produtoras de grãos.

A primeira reação dos manifestantes ao discurso de Cristina Kirchner foi negativa já que os agricultores esperavam uma promessa de alterar a medida. Porém, uma das entidades no conflito assegurou que viu com bons olhos o fato de a presidente estar disposta ao diálogo.

'Gostamos da invocação ao diálogo e que deixa a porta aberta para negociar', disse à Reuters um porta-voz da Sociedade Rural Argentina.

Houve alguns incidentes esporádicos de violência nesta semana entre manifestantes contrários e favoráveis aos agricultores.

Na capital, restaurantes e supermercados já enfrentam desabastecimento de carne, frango e laticínios.