Político holandês disponibiliza em site filme no qual critica Corão

Agência EFE

HAIA - O polêmico e antimuçulmano parlamentar holandês Geert Wilders disponibilizou hoje na internet um curta-metragem que critica o Corão e que, antes mesmo de sua exibição, já tinha gerado controvérsia.

O filme, que se chama 'Fitna' (caos ou confronto, em árabe) e está disponível no site 'Liveleak.com', começa com a advertência de que suas imagens podem ferir a sensibilidade do espectador.

Logo em seguida, é exibido um livro em branco com a polêmica charge de Maomé publicada na imprensa dinamarquesa na qual o profeta, em vez de um turbante, aparece com uma bomba na cabeça.

A produção também mostra cenas dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, dos ataques de 11 de março de 2004 ao trem metropolitano de Madri e das ações terroristas de 7 de julho de 2005 no sistema metroviário de Londres.

O curta intercala ainda imagens das vítimas desses atentados com versículos do Corão, o livro sagrado do Islã que, na opinião de Wilders, incita à violência.

Uma das frases incluídas na montagem diz: 'Queimaremos os infiéis e quando a carne deles estiver bem assada, a substituiremos por outra carne'.

Além disso, são ouvidas vozes de muçulmanos ameaçando de morte aqueles que não acreditam na religião islâmica e fragmentos de depoimentos do cineasta holandês Theo van Gogh, que, em 2004, foi assassinado por um islamita radical em Amsterdã.

Enquanto exibe imagens de imames, o filme reproduz manchetes de jornais com a notícia desse assassinato, relacionado a um polêmico filme de Van Gogh, também crítico da religião muçulmana.

A obra critica ainda 'a islamização' da Holanda, onde, segundo o parlamentar, a liberdade está sendo substituída por práticas como a castração feminina, a repressão às mulheres e a discriminação contra homossexuais.

Wilders, que várias vezes já se referiu ao Corão como um livro fascista, também mostra declarações de muçulmanos radicais contra os judeus e até um cartaz em que se lê 'Deus abençoe Hitler'.

No fim, o curta convida todos os muçulmanos a arrancarem do Corão as passagens que 'incitam ao ódio'.

O filme, que televisões holandesas se recusaram a exibir e que o parlamentar não apresentou em uma sala de cinema por não poder arcar com as medidas de segurança, despertou grande interesse em suas primeiras horas na internet, a julgar pelas dificuldades para visualizá-lo.

No entanto, o única protesto até o momento foi o promovido por cerca de dez jovens que se reuniram em frente à sede do Parlamento holandês, cuja segurança foi preventivamente reforçada.

Hoje, o parlamentar classificou sua produção como 'justa' e legal. E, apesar dos protestos diplomáticos de países muçulmanos antes da estréia da obra, afirmou que o curta não foi pensado para causar confrontos.

Em rádios e televisões holandesas, alguns especialistas disseram que o filme de Wilders não passa de uma colagem de imagens já extenuamente divulgadas.