Primeiro-ministro paquistanês pede que ONU investigue morte de Bhutto

Agência EFE

ISLAMABAD - O novo primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, pediu hoje em uma conversa por telefone com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que a organização investigue o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, informou hoje a ONU. A porta-voz das Nações Unidas, Michèle Montas, disse que o pedido foi feito durante o telefonema em que Ban parabenizava Gilani por sua eleição na segunda-feira no Parlamento paquistanês como novo chefe de Governo.

O secretário-geral disse ao premiê que a ONU não pode tomar nenhuma decisão até receber uma solicitação oficial do Paquistão e que esse pedido precisaria ser aprovado pelo Legislativo do país, destacou Montas. A porta-voz lembrou que quem dá a última palavra sobre criação de comissões de investigação e tribunais internacionais é o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

- O secretariado não pode tomar uma decisão assim, só podemos repassar a solicitação para Conselho de Segurança, que é o órgão que deve tomar a decisão final - acrescentou Montas.

Gilani anunciou logo após sua eleição que o Parlamento aprovará uma resolução pedindo a investigação internacional do assassinato de Bhutto, que morreu em um atentado em Rawalpindi em 27 de dezembro de 2007. O Partido Popular do Paquistão (PPP) já tinha pedido várias vezes essa investigação após o assassinato de Bhutto, mas o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, descartou a hipótese e várias potências mundiais considerarem improvável a participação de um segundo país.

Pouco após o atentado, o líder do PPP e viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, pediu o início de uma investigação similar à aberta pela ONU sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, que morreu em um atentado a bomba em Beirute em 14 de fevereiro de 2005.