Livni diz que operações militares em Gaza 'apóiam' o processo de paz

Agência EFE

JERUSALÉM - A ministra de Assuntos Exteriores de Israel, Tzipi Livni, disse nesta quarta-feira que as operações militares do Exército de seu país na Faixa de Gaza 'apóiam' o processo de paz com os palestinos ao invés de bloqueá-lo.

- A atividade antiterrorista em Gaza não prejudica o processo de paz, mas o apóia porque ela é dirigida contra os opositores das negociações feitas em novembro na Conferência de Annapolis (Estados Unidos) - disse Livni em uma conferência divulgada pela imprensa local.

A chefe da diplomacia israelense advertiu do risco de o Hamas e o Fatah se reconciliarem por causa do acordo feito no domingo no Iêmen para reativar o diálogo.

- Se o movimento nacional palestino ceder ao outro grupo (Hamas), haverá conseqüências em nossa capacidade de avançar no processo político que conduza à criação de um Estado palestino - declarou.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, advertiu em julho:

- No momento em que Abu Mazen (Mahmoud Abbas, presidente palestino e líder do Fatah) voltar a abraçar o Hamas, nós deixaremos de falar com ele.

O Hamas e o Fatah estão em conflito desde que os simpatizantes islâmicos expulsaram da faixa de Gaza em junho as forças leais a Abbas, que governa a Cisjordânia.

Livni mostrou sua preocupação sobre o que definiu como a crescente perda da legitimidade de Israel entre a opinião pública mundial.

- Os problemas que enfrentamos não são só em torno de nossa existência, mas também quanto a nosso direito de existir como Estado judeu; há uma tendência em negar nossa legitimidade como lar nacional dos judeus - explicou.

A ministra vê uma 'enorme e intolerável brecha entre Israel e seus valores e sua imagem no exterior, o que cria uma falta de legitimidade'.

Após assegurar que Israel 'impõe limitações' baseadas em seus valores morais, Livni disse estar disposta a aceitar as críticas da comunidade internacional 'sempre e quando forem feitas de acordo com seus valores'.

- Esperamos que, quando civis (israelenses) forem atacados deliberadamente pelo terrorismo, as pessoas não os comparem com os civis palestinos feridos nas operações israelenses de defesa - concluiu.