Governo argentino adverte que impedirá bloqueios de estradas

Agência EFE

BUENOS AIRES - O ministro da Justiça argentino, Aníbal Fernández, advertiu hoje que as forças de segurança liberarão as estradas bloqueadas há 14 dias por produtores agropecuários em protesto pelo aumento de impostos.

- Se eles não saírem do caminho, nós os faremos sair. Respeitamos o protesto, mas ninguém é mais bonito do que ninguém aqui - disse o ministro ao afirmar que os bloqueios têm parado o transporte de alimentos e já gerou inclusive regiões desabastecidas.

Fernández declarou que 'não haverá repressão porque não a fizemos em nenhum momento'.

Buenos Aires amanheceu hoje em calma após o ataque de grupos governistas a milhares de manifestantes que fizeram um 'panelaço' na Praça de Maio, em frente à sede do Executivo, para apoiar os protestos dos produtores agropecuários e para repudiar o duro discurso da presidente argentina, Cristina Kirchner, contra os grevistas.

Milhares de caminhões continuam impedidos de seguir viagem por piquetes nos arredores da cidade de Gualeguaychu, a cerca de 270 quilômetros da capital argentina, na estrada 14, um dos principais escoadouros do transporte de alimentos e do comércio entre os membros do Mercosul.

Também continuam bloqueadas rodovias nas províncias de Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé - que concentram a maior parte da produção agropecuária argentina - e em outros distritos do norte do país.

- Tentaremos liberar os caminhos e permitir que os produtos cheguem aos destinos de consumo - disse Fernández ao canal de notícias a cabo 'TN'.

- Se eles acham que têm o direito de extorquir a sociedade bloqueando uma passagem, o Governo exercerá seu poder de polícia e liberará o tráfego - advertiu o ministro da Justiça.

Fernández destacou que os lugares-chave do conflito estão cheios de policiais que não estão incentivando nenhum tipo de enfrentamento e que todos os conflitos que poderiam ter acontecido foram dissipados.

O ministro argentino destacou que o Governo expressou 'várias vezes' sua disposição ao diálogo para acabar com a greve, organizadas pelas quatro maiores associações de produtores agropecuários que juntos reúnem aproximadamente 290 mil filiados.

Enquanto isso, fontes da Federação Agrária e de Coninagro, que representam pequenos produtores em greve, disseram à Agência Efe que farão um protesto hoje na cidade de Córdoba, capital da província do mesmo nome, e entregarão uma lista de reivindicações ao governador local, Juan Schiaretti.

Schiaretti é um dos governadores que pediu tanto ao Governo argentino quanto aos grevistas para acalmarem os ânimos e retomarem o diálogo para superarem o conflito.

Cristina fez um pedido de reflexão ontem à noite e advertiu que não se sujeitará a 'extorsões' do que chamou de 'piquetes da abundância', referindo-se às mobilizações das associações agropecuárias.

Em discurso na sede do Governo, a presidente argentina disse que o fato parece brincadeira. 'Quando as vacas eram gordas, as vaquinhas ficavam com eles', disse explicando que à população só restava lamentar.

O discurso da presidente provocou manifestações espontâneas de apoio aos grevistas tanto em Buenos Aires quanto em outras cidades grandes, onde aconteceram os 'panelaços'.

Ao redor da meia-noite, grupos de piquetes do Partido Justicialista (PJ, peronista), atacaram a tapas os manifestantes que estavam em frente à sede do Governo, sem a intervenção da Polícia.