Kofi Annan pode retornar ao Quênia para mediar crise

Agência EFE

NAIRÓBI - O ex-secretário-geral da ONU e mediador da crise queniana, Kofi Annan, pode retornar a Nairóbi nos próximos dias por causa da falta de consenso para formar um Governo de coalizão, disseram fontes da oposição.

O presidente queniano, Mwai Kibaki, e o líder do Movimento Democrático Laranja (ODM, sigla em inglês) e provável futuro primeiro-ministro, Raila Odinga, se reuniram novamente nesta terça-feira, mas não chegaram a um acordo sobre a composição da Administração conjunta.

A reunião, de duas horas, para dar continuidade ao pacto político assinado no dia 28 de fevereiro, era muito esperada pela população, ansiosa por ver o primeiro Governo partilhado da história do país.

Nenhum dos dois líderes fez declarações à imprensa e o secretário-geral do ODM, Anyang Nyongo, disse à Agência Efe que 'as negociações avançam lentamente, mas na direção correta'.

Porém, Nyongo não quis comentar os rumores de que Kibaki e Odinga diferem em relação à divisão dos ministérios de maior relevância.

- Não estamos aqui para dividir o bolo, mas para ajudar os quenianos - declarou Nyongo em resposta a editoriais da imprensa nacional, segundo as quais existe uma 'guerra interna' nos dois lados e grandes 'diferenças de critério' entre eles.

Segundo outras fontes do ODM, o partido pediu os ministérios do Interior, de Assuntos Exteriores e de Finanças, além do posto de primeiro-ministro e de uma das vagas de vice-primeiro-ministro.

Kibaki e seus partidários não estariam dispostos a satisfazer estas exigências, o que faz com que o retorno de Annan se torne a única forma de solucionar esta diferença.

Annan foi o mediador da crise política que explodiu após o anúncio dos resultados das eleições gerais do dia 27 de dezembro. A crise virou um conflito tribal que causou a morte de mais de 1.500 pessoas e deixou outras 400 mil deslocadas.