Brasileira morre em Londres depois de ter atendimento médico negado

JB Online

LONDRES - A brasileira Wanessa Marques morreu em Londres de trombose após ter atendimento médico negado na rede pública da cidade, por ter apenas visto de turista. A jovem, que chegou a Londres em 16 de junho do ano passado, se queixou de fortes dores na perna dias depois, mas não foi recebida no hospital para tratamento inicial.

A prima de Wanessa, Suzi Farias, a acompanhou ao médico e contou que a clínica negou o atendimento alegando que ela não era residente na Grã-Bretanha.

- A recepcionista não só negou atendimento, como também disse não saber onde ela poderia receber assistência. Eu fiquei tão indignada que perguntei: 'se alguém chega aqui morrendo vocês não atendem'? Ela me respondeu que não - disse Suzi à rede BBC.

Na Grã-Bretanha, os atendimentos médicos iniciais são prestados pela rede pública, até para os clientes dos planos privados de saúde. Para Wanessa, não teria sido possível, por exemplo, ter optado por um médico particular.

- É inevitável pensar que se ela tivesse sido atendida pelo clínico-geral talvez a sua vida tivesse sido poupada - disse à BBC Brasil Vânia da Conceição Borges, mãe de Wanessa. - Eles não poderiam jamais ter negado atendimento. Independentemente de ter o documento ou não, era um ser humano - criticou.

Em resposta à BBC Brasil, o Ministério da Saúde britânico informou que a legislação do país estabelece que os clínicos gerais do sistema público de saúde podem atender gratuitamente (porém não são obrigados) a pacientes com o visto de turista.

"Se optarem por não prestar atendimento gratuito, devem, pelo menos, oferecer ao paciente a possibilidade de pagar pelo tratamento", esclareceu o ministério - o que não teria acontecido no caso de Wanessa.

Durante duas semanas, Suzi cuidou da prima, aplicando pomadas na perna e dando analgésicos para dor. Um dia, no entanto, Wanessa amanheceu muito amarela e, preocupada, Suzi resolveu pedir a ajuda de sua mãe. Poré, antes de chamar a ambulância, Wanessa teve o primeiro de três ataques cardíacos. Ela chegou ao hospital com vida e recebeu um marca-passo, que não evitou outros dois ataques cardíacos, ficando em coma durante 20 dias. A mãe de Wanessa viajou ao Reino Unido para acompanhar a filha, mas chegou no mesmo dia em que a jovem morreu, em 20 de julho de 2007.

Wanessa foi enterrada em Londres, onde, como escreveu em seu diário, "seria o seu ponto final". As despesas com o funeral, que custou 4,1 mil libras (cerca de R$ 14,8 mil), foram pagas com doações da comunidade brasileira.