Ban pede que Israel e ANP prossigam no processo de paz

Agência EFE

NAÇÕES UNIDAS - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, instou nesta terça-feira o Governo israelense e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) a prosseguirem com as negociações bilaterais para conseguirem um acordo de paz apesar do ceticismo e da violência que atingem a região.

Ban confirmou em um discurso perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas seu apoio 'pessoal e firme' às negociações entre o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, aos quais disse admirar por sua 'tenacidade frente a tanto ceticismo'.

- Este processo é muito importante para deixar que perca impulso por falta de atuações, indiferença ou a influência da violência - afirmou em relação a um conflito que, segundo a ONU, no último mês causou a morte de 124 palestinos e de 13 israelenses.

O secretário-geral da ONU participou do debate mensal do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio, que nos últimos meses esteve marcado pela violência e pelo isolamento da Faixa de Gaza.

Ban teme que a relativa calma experimentada na região seja um prelúdio de um novo ciclo de violência que aumente o custo humano do conflito e coloque o processo de paz em perigo.

No entanto, disse estar convencido de que as duas partes podem alcançar um acordo de paz antes do final de 2008, tal como se comprometeram a alcançar na conferência de Annapolis, realizada em novembro de 2007 com patrocínio dos Estados Unidos.

- Todos nós temos que fazer duas perguntas simples: se não é este acordo, qual será, e se não é agora, quando será - declarou.

A declaração de Ban foi acompanhada pela apresentação do relatório mensal sobre o Oriente Médio do subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe, que destacou a necessidade de melhorar a situação econômica dos palestinos e a de segurança dos israelenses.

Ele destacou a importância de que as duas partes continuem negociando apesar da escalada de violência causada pelos lançamentos de foguetes palestinos contra o sul de Israel, as incursões do Exército israelense em Gaza e o atentado contra um seminário rabínico em Jerusalém.

Pascoe afirmou que o número de vítimas fatais no último mês chega a 124 palestinos e a 13 israelenses.

Além disso, afirmou que as Nações Unidas apóiam os esforços do Egito para conseguir o final da violência em Gaza e facilitar a gradual abertura de suas fronteiras, que Israel fechou em janeiro em resposta aos bombardeios contra seus povoados.

Ao mesmo tempo, expressou sua preocupação pelos anunciados planos do gabinete israelense de permitir a expansão dos assentamentos em território ocupado, o que constitui uma violação das resoluções do Conselho de Segurança e do direito internacional.

Já o representante da ANP ante a ONU, Ryiad Mansour, afirmou que "o caminho para a segurança passa pela porta da justiça e da paz'.

- Não há uma solução militar para o conflito, a violência só causa mais violência e a contínua ocupação e colonização termina por impedir qualquer possibilidade de conseguir uma solução pacífica, justa e permanente - declarou.

Por sua vez, o embaixador da Israel perante a ONU, Dan Gillerman, culpou o Irã e suas 'delegações', o Hamas e o Hisbolá pela escalada da violência na região.