Turquia: Manifestações do Ano Novo curdo deixam um morto e cem feridos

Agência EFE

ANCARA - As celebrações do Newroz, o Ano Novo curdo, se transformaram neste sábado à noite em batalhas campais entre manifestantes curdos e as forças de segurança em várias localidades do sudeste da Turquia, com um morto e pelo menos 100 feridos, além de cerca de 400 detidos.

Segundo várias emissoras locais informaram neste domingo, milhares de manifestantes acenderam fogueiras e gritaram palavras de ordem a favor de Abdullah Ocalan, líder do ilegal Partido dos Trabalhadores de Curdistão (PKK) e que está preso.

Os incidentes ocorreram nas cidades de Van, Hakkari, Siirt, Batman, Silopi e Mersin, todas de maioria curda, no sudeste da Turquia.

Os enfrentamentos mais violentos ocorreram em Van, onde 130 pessoas, incluindo o chefe local do pró-curdo Partido da Sociedade Democrática (DTP), foram detidas.

Segundo a rede de notícias 'NTV', 15 policiais e 38 manifestantes ficaram feridos nos choques.

Um homem de 35 anos, ferido gravemente ontem à noite devido a um tiro no peito, morreu hoje de manhã no hospital de Van.

A Polícia atirou para o alto e usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que jogaram pedras contra os agentes e colocaram barricadas.

As manifestações por ocasião do Newroz na sexta-feira passada tinham a permissão pertinente, mas vários grupos curdos, próximos ao DTP, insistiram em celebrar durante todo o fim de semana.

A agência pró-curda 'Firat News' informa hoje que cerca de 400 pessoas foram detidas durante as manifestações do sábado, que canais turcos definiram como 'campos de batalha'.

O dia 21 de março é celebrado no Oriente Médio como o início da primavera, mas os curdos começaram nos anos 80 a comemorar o Newroz como um símbolo de sua resistência contra o Estado turco.