Argélia coloca condições para a reabertura de fronteiras com Marrocos

Agência EFE

ARGEL - O Governo argelino colocou neste sábado suas condições para reabrir as fronteiras terrestres com o vizinho marroquino, fechadas durante 14 anos, em uma tentativa de que este assunto seja tratado no marco de todas as disputas existentes entre os dois países.

O reino do Marrocos pediu oficialmente na sexta-feira para que a Argélia reabra suas fronteiras na tentativa de conseguir uma normalização das relações bilaterais.

- O problema de circulação nas fronteiras argelino-marroquinas não constitui uma questão isolada, deve ser tratada em um marco geral e não pode se dissociar de uma aproximação global que queremos conseguir no Magrebe - explicou neste sábado o ministro argelino do Interior, Yazid Zerhouni.

As autoridades argelinas reprovam especialmente os marroquinos por não vigiar seu lado da fronteira, deixando assim o campo livre a qualquer forma de contrabando e de tráfico de armas e de droga.

Zerhouni assinalou que seu país está a favor de um Magrebe que seja 'eqüitativo' para o conjunto dos países da região e acrescentou que 'não se trata de construir um Magrebe onde alguns ganhem e outros percam'.

O ministro se referia ao fato de que os intercâmbios entre os dois países em matéria de comércio eram desfavoráveis para seu país, quando as fronteiras estavam abertas e que o território marroquino havia se transformado em um mercado onde se negociavam produtos, geralmente provenientes do contrabando sem que a Argélia se opusesse.

As fronteiras se fecharam em agosto de 1994 por decisão argelina, depois que as autoridades marroquinas exigiram o visto de estadia a qualquer argelino que quisesse visitar o reino norte-africano.

Naquela época, o Governo marroquino acusou os serviços secretos argelinos de estar envolvido no atentado de Marrakech no verão do mesmo ano e impôs a obrigação de uma autorização aos argelinos que quisessem viajar para Marrocos.

Durante o mês de julho de 2004, Marrocos decidiu de maneira unilateral suprimir esta medida, atitude que serviu para que a Argélia no mês de março do ano seguinte pusesse em vigor uma medida recíproca, mas as fronteiras se mantiveram fechadas.