Iraque entra em 6º ano de guerra em meio ao caos

Agência AFP

BAGDÁ - A guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque, que derrubou o regime do ditador Saddam Hussein e deu início a uma nova era de incertezas no país árabe, entrou em seu sexto ano nesta quinta-feira, com milhões de iraquianos lutando diariamente contra o caos e em meio a banhos de sangue.

Em 20 de março de 2003, aeronaves americanas lançaram as primeiras bombas em Bagdá. Em três semanas, as tropas invadiram o país e o regime de Saddam veio a baixo em meio a combates com rebeldes.

O primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki declarou que a invasão americana deu um fim ao regime linha dura de Saddam e libertou o Iraque da opressão.

- O Iraque agora tem liberdade de expressão. O governo não controla mais os intelectuais e não os aprisiona mais - afirmou Maliki. - Hoje eles apreciam a democracia depois de anos vivendo sob uma tirania - acrescentou.

Depois de cinco anos, iraquianos, forças americanas e aliadas continuam enfrentando ataques diários de militares islâmicos, e a guerra prossegue entre os grupos sunita e xiita.

A guerra matou centenas de milhões de civis iraquianos. Entre 104 mil e 223 mil morreram entre março de 2003 e junho de 2006, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Mais de quatro mil soldados americanos e aliados perderam suas vidas em combate e demais acidentes.

- A guerra tem sido um estrago para a política externa americana e em termos de estabilidade no Iraque e no Oriente Médio - afirmou Joost Hiltermann, membro do Grupo de Crises Internacionais.

- Espero que os Estados Unidos consigam encontrar uma saída para essa situação sem permitir que o Iraque desmorone.

O presidente George W. Bush afirmou que a guerra custou mais de 400 bilhões para sua administração, e admitiu que as vidas perdidas foram um custo muito alto a se pagar, mesmo assim considerou tudo isso uma necessidade maior.

- As respostas estão claras para mim: tirar Saddam do poder foi a decisão certa, e essa é uma luta que a América pode e vai ganhar - discursou.

Líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden divulgou um vídeo alertando sua intenção de lutar com os Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão.

Ele afirmou que "os atos selvagens" das forças americanas nos dois países "não colocaram um ponto final na guerra, apenas aumentaram a vontade de lutar pelos seus direitos, vingar os muçulmanos e expulsar os invasores de seu país".

Nos Estados Unidos, ativistas promovem manifestações exigindo a retirada das tropas americanas e, segundo pesquisa feita pela rede de televisão CBS, 54% dos americanos desaprovam da guerra.

Segundo Bush, o banho de sangue diminuiu, no entanto, até mesmo o general David Petraeus admite que Bagdá avançou muito pouco para uma reconciliação nacional.

Os ataques contra civis continuam e, na última segunda-feira, 52 pessoas morreram na cidade xiita de Karbala.

A economia, principal preocupação dos iraquianos depois da segurança, está um desastre. O desemprego é de aproximadamente 50%, de acordo com dados do governo. A exportação de petróleo, principal fonte de lucro do país, é motivo de conflito entre os diversos grupos políticos.