Tablóides britânicos são obrigados a pedir perdão a pais de Madeleine

Agência EFE

LONDRES - A Justiça britânica decidiu que quatro jornais sensacionalistas britânicos terão que pagar 550 mil libras (700 mil euros) aos pais da menina Madeleine McCann por publicar informações que sugeriam que o casal tinha assassinado a criança e escondido este fato. A disputa legal por difamação, que foi resolvida hoje no Tribunal Superior de Justiça de Londres, teve como réus os jornais 'Daily Express' e 'Daily Star', e seus dominicais 'Sunday Express' e 'Daily Star Sunday', todos eles pertencentes ao grupo Express Newspapers.

Gerry e Kate McCann, cuja filha desapareceu em maio de 2007 em Portugal, aceitaram a indenização e uma desculpa pública por parte dos periódicos para dar por encerrado o caso. O 'Daily Express' e o 'Daily Star' já fizeram sua 'mea culpa' hoje e os outros dois jornais devem publicar desculpas semelhantes no próximo domingo. "Kate e Gerry McCann: Sentimos muito', afirmam hoje os dois tablóides em suas capas, ao mesmo tempo em que admitem que algumas de suas notícias 'sugeriram que o casal causou a morte' da menina, que tinha três anos quando desapareceu, e 'depois escondeu este fato'. "Admitimos que não há provas para respaldar esta teoria e que Kate e Gerry são completamente inocentes de qualquer envolvimento no desaparecimento de sua filha', acrescenta a nota de desculpa.

Os McCann, que não compareceram à audiência, realizada no tribunal, anunciaram em comunicado que destinarão o dinheiro recebido à fundação criada para encontrar sua filha, que desapareceu quando passavam férias em Praia da Luz (sul de Portugal). "Estamos satisfeitos com que o Express Newspaper tenha admitido hoje a falsidade total de várias alegações muito difamatórias e grotescas que seus periódicos publicaram sobre nós de forma sustentada durante meses', indicou o casal.

O advogado dos McCann, Adam Tudor, disse que, entre outras informações, os jornais do grupo publicaram que o casal tinha assassinado sua filha e que a teriam vendido para pagar suas dívidas. Os pais de Madeleine, que insistem em que não há provas que demonstrem que a menina está morta ou que tenha sofrido graves danos, dizem no comunicado que decidiram entrar com ações judiciais "de má vontade' e 'com desgosto', já que não queriam se distrair de seu objetivo maior, que é encontrar sua filha.

"De fato, no outono passado (hemisfério norte) nossos advogados pediram ao Express Newspaper que mostrasse uma maior contenção em suas informações, pedidos esses que foram completamente ignorados', acrescentam. Diante dessa situação e conscientes da 'dor' que essas notícias "irresponsáveis e difamatórias' provocavam em seus parentes, eles decidiram impetrar ações judiciais que terminaram com um veredicto a seu favor.

"Como parte de nosso acordo, o Express Newspapers concordou em doar 550 mil libras ao fundo que foi criado para ajudar a encontrar Madeleine. Achamos que é totalmente apropriado que a busca de Madeleine se beneficie agora diretamente das injustiças cometidas contra nós como seus pais", ressaltam. Madeleine desapareceu em 3 de maio de 2007 enquanto dormia junto a seus irmãos gêmeos, Sean e Amélie, em um apartamento de Praia da Luz, enquanto seus pais jantavam em um restaurante próximo.

Os McCann foram declarados formalmente suspeitos no caso pela Polícia portuguesa, junto ao britânico Robert Murat, expatriado em Portugal.

O casal de médicos sempre alegou sua inocência e estabeleceu uma campanha internacional para encontrar a menina.