Premiê australiano questiona envio de observadores ao Tibete

Agência EFE

SIDNEY - O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, questionou nesta quarta-feira se a tensa situação no Tibete pode ser resolvida com uma autorização da China para que um grupo de observadores internacionais visite a região.

- Entendo, e é preciso levar em conta que não estou totalmente a par dos acordos de viagem com a China, que as missões estrangeiras residentes em Pequim e em outros lugares têm direito de viajar ao Tibete - disse Rudd à rádio australiana 'ABC'.

Rudd, que foi embaixador na China, disse que acredita que há 'a possibilidade de viajar amplamente pelo Tibete e de informar o que (os observadores) vêem'.

Os Governos da China e o exílio tibetano mantêm uma troca de acusações sobre a onda de violência gerada nos últimos dias no Tibete e em várias províncias chinesas, territórios que continuam isolados à imprensa estrangeira.

O regime comunista de Pequim disse que a região tibetana está voltando aos poucos ao normal, após as revoltas em Lhasa, mas o Governo tibetano no exílio desmentiu a versão oficial chinesa e sustenta que cada vez é mais difícil obter informação sobre o que está ocorrendo no local.

Pequim nega ter utilizado a força para colocar fim às manifestações, e sustenta que 13 civis morreram nas revoltas ocorridas em Lhasa na sexta-feira passada.

O Governo tibetano no exílio garante que pelo menoss 30 pessoas morreram, mas que pode haver até cem vítimas fatais.

O importante, disse Rudd, 'é que a comunidade internacional coloque claramente em cima da mesa, com nossos amigos em Pequim, o fato de que é necessário mostrar autocontrole e que se observem os direitos humanos'.

Rudd, aliado de Pequim e que domina o mandarim, deve visitar a China - maior parceiro comercial da Austrália - de 9 a 12 de abril, para se reunir com o presidente chinês, Hu Jintao, e com seu primeiro-ministro, Wen Jiabao.

O líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, deve visitar a Austrália em junho deste ano, após ter visitado o país em 2007, quando foi recebido pelo então primeiro-ministro, John Howard, apesar dos fortes protestos da China.