Hillary vai a Michigan defender novas prévias no Estado

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MICHIGAN - Hillary Clinton, pré-candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, pressionou nesta quarta-feira pela realização de novas prévias em Michigan, um Estado que pode ser crucial para as ambições dela de continuar na corrida à Casa Branca.

- Estou aqui hoje por um motivo simples: para garantir que os votos de Michigan sejam contados. e a voz de vocês seja ouvida nesta eleição - afirmou Hillary, senadora por Nova York, em uma visita acertada de última hora.

A pré-candidata, ex-primeira-dama do país, conclamou Barack Obama, o senador com o qual disputa a vaga do Partido Democrata, a dar apoio à proposta dela, que permitiria ao Estado realizar uma nova prévia democrata, como parte do processo de escolha do candidato da legenda para as eleições presidenciais de novembro.

- O senador Obama discursa apaixonadamente em seus comícios de campanha sobre dar poder ao povo norte-americano. Hoje, eu o conclamo a transformar essas palavras em ato - disse Hillary.

- Precisamos contar os votos já depositados em Michigan e na Flórida ou realizar novas eleições a fim de que suas vozes e seus votos sejam considerados - afirmou ela, em meio a aplausos.

Os dirigentes do Partido Democrata no Michigan disseram na terça-feira que uma proposta de realizar novas prévias no Estado, em junho, se encontrava paralisada e provavelmente, não seria sancionada a tempo, ainda nesta semana.

A oposição de congressistas aliados de Obama parece ser suficiente para frustrar qualquer proposta do tipo. As prévias democratas realizadas no Michigan e na Flórida, em janeiro, foram invalidadas pela comitiva nacional do partido porque os dois Estados violaram as regras da legenda, ao realizar seus processos eleitorais antes da data prevista a fim de terem mais peso na escolha do candidato.

Hillary venceu as prévias do Michigan, em 15 de janeiro, que não incluíam o nome de Obama nas cédulas. A pré-candidata também saiu vencedora na Flórida, mas os democratas desse Estado abandonaram os esforços para realizar uma nova votação.

Os dois Estados perderam a chance de enviarem, no total, 366 delegados para a convenção democrata que escolhe, em novembro, o candidato do partido. Esse montante de delegados poderia ser decisivo em uma corrida na qual nem Hillary nem Obama asseguraram ainda os 2.024 delegados necessários para conquistar a vaga.

O comitê de campanha do senador divulgou um boletim hoje citando os obstáculos constitucionais e de outros tipos que uma repetição do processo enfrentaria.

- Saber se o Estado conseguirá atingir seu objetivo dependerá da natureza e da seriedade das questões jurídicas e administrativas levantadas por essa iniciativa - afirmou Robert Bauer, advogado do comitê de campanha, em um memorando, citando preocupações que vão desde a forma como serão tratados os eleitores no exterior até a falta de tempo para organizar uma nova votação.

Segundo Bauer, essas questões "poderiam pôr em risco as eleições já em andamento, minar a aceitação dos resultados se as prévias forem realizadas e, em ambos os casos, negar efetivamente aos eleitores do Michigan, pela segunda vez, uma participação efetiva no processo de nomeação."

As pessoas contrárias a uma reedição das prévias também se disseram preocupadas com uma regra que impediria de participar da reedição do pleito os eleitores independentes e democratas que votaram nas prévias republicanas de janeiro.