Ex-chefe de Inteligência peruano nega ter comandado o grupo Colina

Agência EFE

LIMA - O ex-general Juan Rivero Lazo, ex-chefe da Direção de Inteligência do Exército peruano, negou nesta quarta-feira ter comandado o grupo Colina, acusado de cometer dois massacres, pelos quais o ex-presidente peruano Alberto Fujimori está sendo processado por violação aos direitos humanos.

Rivero Lazo negou as declarações de alguns ex-integrantes do Colina, que o apontaram como chefe do 'esquadrão da morte' e de ter autorizado a entrega de dinheiro para suas operaçõess encobertas.

Fujimori está sendo processado como suposto autor imediato dos assassinatos de 15 pessoas na zona de Barrios Altos, em 1991, e de nove estudantes e um professor da universidade La Cantuta, em 1992, cometidos pelo grupo Colina.

Além disso, também responde na Justiça pelo seqüestro do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, que foram reclusos nos porões do Serviço de Inteligência do Exército após o golpe de Estado de 1992.

Rivero Lazo afirmou que nunca recebeu orçamento do Serviço de Inteligência Nacional, dirigido na sombra pelo então assessor presidencial Vladimiro Montesinos.

Víctor Silva, um dos ex-chefes do Serviço de Inteligência do Exército, declarou em audiência prévia que Rivero Lazo deu as ordens para criar o Colina e lhe entregou armamento e munição.

No entanto, Rivero Lazo confirmou, diante de uma pergunta do promotor Avelino Guillén, que informava os eventos mais importante de todos os dias ao então comandante-geral do Exército, Nicolás Hermoza Ríos, atualmente preso.

Além disso, outra testemunha questionada hoje, o coronel do Exército Juan Alberto Berteti, confirmou que recebeu a ordem de um superior, o comandante Carlos Miranda, para substituir o encarregado de segurança da universidade La Cantuta e permitir a entrada do grupo Colina no dia do massacre dos estudantes.

O interrogatórios a Rivero Lazo no julgamento contra Fujimori serão retomados na próxima segunda-feira, e também será interrogado o jornalista Umberto Jara, autor de várias entrevistas escritas e em vídeo com o chefe de operações do Colina, Santiago Martin Rivas.