Arquivo Nacional divulga documentos de Hillary como primeira-dama

Agência EFE

WASHINGTON - Os Arquivos Nacionais e a biblioteca presidencial de Bill Clinton divulgaram nesta quarta-feira mais de onze mil páginas da agenda de Hillary Clinton em sua época de primeira-dama que destacam, segundo observadores, sua ausência da Casa Branca em momentos-chave do Governo democrata.

A divulgação dos documentos, que incluem reuniões, viagens ao exterior, discursos públicos, cerimônias e outras atividades sociais da agora senadora democrata e pré-candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos, responde a pressões políticas e a um processo impetrado pelo grupo Judicial Watch em julho de 2007.

Os documentos estão em ordem cronológica e pertenciam aos arquivos de Patti Solis Doyle, a ex-chefe da campanha de Hillary, que foi encarregada da agenda social da ex-primeira-dama durante seus oito anos na Casa Branca.

Das 11.046 páginas divulgadas, 4.746 foram censuradas para "proteger a vida privada de terceiros', incluindo seus dados de Previdência Social, números de telefones e domicílio, explicou um comunicado dos Arquivos Nacionais.

Imediatamente, a campanha presidencial da senadora democrata disse que os documentos 'ajudam a ilustrar o extenso e exaustivo trabalho de Hillary Clinton como servidora pública e seu papel como uma influente ativista em casa e ao redor do mundo a favor de nosso país'.

- Como tal, são um elemento adicional valioso aos arquivos públicos, extensos e substanciais, já entregues pelo presidente (Bill) Clinton - acrescentou a campanha.

Na disputa pela candidatura presidencial democrata, Hillary insistiu em que tem muito mais experiência em política externa que seu adversário, o senador por Illinois Barack Obama.

A campanha indicou hoje que os documentos 'ilustram a gama de assuntos substanciais nos quais trabalhou' e suas viagens a mais de 80 países nos quais promoveu os programas nacionais e de política externa do Governo de Clinton.

No entanto, a maioria de suas atividades foram atos tradicionais para uma primeira-dama e alguns um pouco mais substanciais.

Durante uma viagem à Rússia, em janeiro de 1994, a agenda da senadora só incluiu reuniões com esposas de líderes políticos, uma visita a um hospital e a uma catedral e um almoço com mulheres influentes.

Enquanto líderes católicos e protestantes na Irlanda se reuniram entre 9 e 10 de abril de 1998 para obter um acordo para compartilhar o poder, a ex-primeira-dama assistiu a uma cerimônia em memória de uma congressista e se reuniu com a primeira-dama das Filipinas, Amelita Ramos.

E em 24 de março de 1999, quando os EUA lançaram mísseis na Sérvia para punir a repressão do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic contra os separatistas no Kosovo, Hillary visitava as ruínas e pontos turísticos do Egito.

Vários grupos conservadores, não satisfeitos com os documentos divulgados hoje, insistiram em que o casal Clinton ainda não entregou os arquivos telefônicos da ex-primeira-dama nem os documentos relacionados a seu trabalho a favor de uma polêmica reforma de saúde.

Parte dos documentos divulgados hoje em CD e publicados no site da biblioteca presidencial William J. Clinton demonstra que, no início da Administração Clinton, a então primeira-dama teve várias reuniões com titulares do Gabinete e seu pessoal em temas relacionados com a cobertura de saúde.

Também indicaram que, quando começou o escândalo pelos casos do presidente Clinton com uma estagiária na Casa Branca, Hillary manteve uma agenda muito acirrada e não cancelou seus compromissos públicos dentro e fora dos Estados Unidos.

Entre as múltiplas reuniões e obrigações da senadora na época, em janeiro de 1998 figura que ela escolheu flores para um jantar formal na Casa Branca, conversou com os vencedores de um prêmio nacional contra as armas, e visitou uma escola primária.

Se na frente das câmeras de televisão, Hillary denunciava a "conspiração da direita' para difamar seu marido, em particular, conta em sua autobiografia, não restava remédio a manter as aparências.

- Sabia que Bill e eu tínhamos que continuar com nossa rotina diária - afirmou em seu livro.