Premiê de Israel reafirma planos de obras em assentamentos

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JERUSALÉM - Rebatendo as críticas feitas pelos Estados Unidos, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, prometeu na segunda-feira continuar com a construção de moradias em áreas ocupadas de Jerusalém e nas imediações, e afirmou que as negociações de paz - dificultadas por episódios de violência - foram retomadas. Os EUA descreveram a construção de assentamentos judaicos perto de Jerusalém como um ato que não ajuda o processo de paz e disseram que nem Israel nem os palestinos cumpriam uma parte suficiente das obrigações assumidas quando da assinatura do plano de paz chamado 'mapa da paz', há muito tempo paralisado.

- Haverá lugares onde haverá construção, ou acréscimos a construções, porque esses lugares permanecerão em mãos de Israel - disse Olmert em uma entrevista coletiva concedida ao lado da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. - Isso inclui, em primeiro lugar e acima de tudo, Jerusalém. Nós estamos construindo em Jerusalém porque todo mundo sabe que não há nenhuma chance de que o Estado de Israel ceda bairros como Har Homa. É uma parte inseparável de Jerusalém.

O governo norte-americano criticou em especial os planos israelenses de construir centenas de novas casas em Har Homa, área que os palestinos chamam de Jabal Abu Ghneim. Israel vem avançando também com os planos de realizar novas obras em grandes assentamentos fundados em terras ocupadas na guerra de 1967, argumentando que essas áreas seriam parte do Estado judaico em um eventual acordo de paz.

Os palestinos vêem nas obras de Har Homa a mais recente peça do muro de colônias que cerca Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade, isolando-a do resto da Cisjordânia. Israel rejeitou as críticas sobre Har Homa afirmando ter anexado essa área e tê-la colocado dentro dos limites da cidade de Jerusalém depois da ocupação da Cisjordânia. Essa anexação não conta com o reconhecimento da comunidade internacional.

O negociador palestino Saeb Erekat disse que os comentários de Olmert 'não se sustentam' e que os palestinos enviaram essa mensagem diretamente ao chefe dos negociadores israelenses, a ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni: - Isto é totalmente inaceitável - disse Erekat.

Apesar da disputa, Olmert afirmou que os principais negociadores dos dois lados, a ministra Livni e o primeiro-ministro palestino, Ahmed Qurie, estavam retomando os diálogos. Os dois reuniram-se horas depois, na segunda-feira, em um hotel de Jerusalém. Um porta-voz de Livni confirmou o encontro, mas não deu informações sobre o que foi discutido. Autoridades israelenses afirmaram que Livni e Qurie tinham realizado um encontro secreto cerca de dez dias atrás, pouco depois de uma violenta ofensiva israelense na Faixa de Gaza haver levado o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a suspender as negociações.

Poucos avanços foram realizados pelo processo patrocinado pelos EUA desde seu lançamento, em uma conferência de paz ocorrida em Annapolis, Maryland, em novembro com o objetivo de arrancar um acordo de criação do Estado palestino antes do final do mandato do atual presidente norte-americano, George W. Bush, em janeiro.

- Nós não paramos, não estamos parando e não vamos desistir - afirmou Olmert a respeito do processo.

O negociador palestino Saeb Erekat não quis se manifestar.